O Brasil alcançou um patamar significativo na educação, com 66% das crianças sendo alfabetizadas na idade correta em 2023. O dado, divulgado recentemente, representa uma conquista importante para o país, conforme avaliação de especialistas de organizações não-governamentais (ONGs) dedicadas ao setor educacional. Para os estudiosos, o resultado, embora celebrado, também deve ser visto como um convite a novos desafios.
Gabriel Correa, diretor de Políticas Públicas da ONG Todos Pela Educação, destacou a importância de celebrar o alcance e a superação da meta de alfabetização para 2025. Ele enxerga no resultado o reflexo de uma trajetória consistente de avanço nos últimos três anos.
“Isso mostra que a priorização política da pauta e o fortalecimento da cooperação federativa, com União, estados e municípios atuando de forma coordenada, tem produzido efeitos concretos na aprendizagem das crianças”, explicou Correa.
Felipe Proto, vice-presidente de educação da Fundação Lemann, reforçou a ideia de que o resultado é um marco para o país. Ele atribui o sucesso a um compromisso coletivo de cooperação entre União, estados e municípios, ressaltando o papel do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada na viabilização de resultados promissores para a educação brasileira.
“Iniciativas como o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização reforçam esse movimento ao reconhecer e incentivar redes que avançam com qualidade e equidade. Erradicar o analfabetismo no Brasil tem se tornado um sonho cada vez mais possível”, avaliou Proto.
Desafios e a Persistência das Desigualdades
Apesar do avanço, Gabriel Correa, do Todos Pela Educação, enfatizou que a alfabetização adequada é a base para uma trajetória escolar bem-sucedida e que as políticas públicas não podem negligenciar nenhuma criança. Ele alertou para o grupo de 34% das crianças que, no 2º ano do ensino fundamental, ainda não sabem ler e escrever.
“As crianças que no 2º ano do ensino fundamental ainda não sabem ler e escrever não conseguirão desenvolver os conhecimentos esperados nas séries seguintes. Elas não podem ser esquecidas”, afirmou Correa, defendendo um esforço intencional para alfabetizá-las, mesmo que com atraso.
Correa também ponderou que o resultado nacional pode esconder “desigualdades relevantes entre estados e municípios, que só poderão ser compreendidas com a abertura detalhada dos dados nos próximos dias”. Ele mencionou que 2025 foi o primeiro ano em que o grupo de crianças avaliado estava na pré-escola durante a pandemia, fator que, junto às políticas públicas, contribuiu para a melhora observada.
Foco no Futuro e Impacto para o Norte de Minas
Felipe Proto, da Fundação Lemann, instou o País a manter o foco e acelerar o ritmo. “O Brasil pode alcançar uma das transformações mais estruturantes de sua história: garantir que todas as crianças estejam lendo e escrevendo até o final do 2º ano do Ensino Fundamental”, projetou.
Para o Norte de Minas, os avanços na alfabetização nacional reforçam a importância da continuidade e do aprimoramento das políticas educacionais. Embora a média brasileira seja animadora, a realidade regional frequentemente apresenta desafios específicos, como a dispersão populacional em áreas rurais e a necessidade de fortalecer a infraestrutura educacional em municípios menores.
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, com seu foco na cooperação federativa, pode ser um pilar fundamental para que as escolas e prefeituras do Norte de Minas recebam o apoio necessário para enfrentar essas particularidades, garantindo que o direito à alfabetização na idade certa seja uma realidade para todas as crianças da região, refletindo o mantra do Portal Minas Notícias: “Noticias que afetam sua vida no Norte de Minas”.