Brasil Lidera Coalizão Global do G20 e Anuncia Combate à Dengue como Prioridade Máxima no Cenário Mundial
Iniciativa brasileira visa acesso equitativo a medicamentos e vacinas, com foco em doenças tropicais e produção nacional, fortalecendo a saúde pública.
O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (24), que o combate à dengue será o primeiro foco de trabalho da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. A iniciativa, construída sob a presidência brasileira do G20 em 2024, tem como missão primordial promover mundialmente o acesso igualitário a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde, com atenção especial aos países em desenvolvimento.
A Coalizão Global e seus Membros
Este grupo estratégico é composto por nações e blocos importantes como Brasil, África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) responderá pelo secretariado executivo da coalizão, apostando em sua vasta experiência internacional para alcançar os resultados propostos.
Mario Moreira, presidente da Fiocruz, destacou a importância da cooperação. “Temos elaborado projetos junto a outros países, sobretudo da África e da América Latina, na perspectiva da cooperação estruturante, formando competência local, científica, tecnológica e alguns casos também industrial”, afirmou.
Dengue: Uma Ameaça Global e Prioridade Brasileira
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, justificou a escolha da dengue como eixo de ações prioritárias. A doença é endêmica em mais de 100 países e coloca em risco mais da metade da população mundial, com estimativas de 100 milhões a 400 milhões de infecções anuais.
Segundo Padilha, “Essa expansão está diretamente relacionada às mudanças climáticas no mundo, que têm provocado o aumento das temperaturas, novo volume de chuvas e níveis mais elevados de umidade: condições favoráveis para a sua transmissão. Assim como ocorre com outras arboviroses, como febre amarela, zika, chikungunya e febre oropouche”.
Como exemplo de parcerias internacionais, o ministro citou o acordo da vacina contra a dengue Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Um acordo com a empresa chinesa WuXi prevê ampliar a capacidade de fornecimento do imunizante para entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. “Acreditamos e nos movemos por um mundo com menos guerra, menos bomba, menos mortes de crianças, civis e profissionais de saúde. Pelo contrário, com mais vacinas e medicamentos acessíveis”, completou.
Avanços na Produção Nacional de Saúde
Além do foco na dengue, o Ministério da Saúde anunciou importantes avanços na capacidade produtiva nacional. O Brasil iniciará a produção 100% nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo, essencial para evitar a rejeição de órgãos transplantados. A transferência tecnológica completa foi realizada em parceria com a Índia.
O ministro Padilha detalhou o impacto: “Cerca de 120 mil brasileiros recebem hoje o Tacrolimo pelo SUS, um medicamento que custa de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês. Uma pessoa transplantada vai tomar essa medicação ao longo de toda a vida”. A produção local garante a segurança do tratamento, “independentemente do que aconteça no mundo. Em caso de conflito, guerra, pandemia ou interrupção da circulação desse produto, a produção local está totalmente garantida pela nossa fundação pública”, reforçou.
Outra frente de inovação é a instalação de um novo centro de competência para produzir vacina de RNA mensageiro (mRNA) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Esta tecnologia utiliza apenas o código genético do patógeno para estimular a produção de anticorpos, sem o uso do patógeno enfraquecido ou inativado.
O país já conta com duas plataformas em desenvolvimento na Fiocruz e no Instituto Butantan, com cerca de R$ 150 milhões em investimentos federais. Com o novo centro na UFMG, serão mais R$ 65 milhões investidos. “O Brasil passa a ter três instituições públicas produzindo vacinas de RNA mensageiro, o que permitirá não apenas absorver e desenvolver tecnologias para outras doenças, mas também estar preparado para responder rapidamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus”, explicou Padilha.
Reflexos para o Norte de Minas
A liderança brasileira na coalizão global e os investimentos na produção nacional de saúde têm um impacto direto e positivo para o Norte de Minas. A priorização do combate à dengue é fundamental para a região, historicamente afetada por arboviroses, podendo resultar em melhores estratégias de prevenção e controle da doença. Além disso, a garantia de produção nacional de medicamentos de alto custo, como o Tacrolimo, e a ampliação da capacidade de desenvolvimento de vacinas de alta tecnologia fortalecem o Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Isso significa que os pacientes do Norte de Minas terão maior segurança no acesso a tratamentos essenciais e estarão mais protegidos contra futuras emergências sanitárias, com um SUS mais robusto e menos dependente de importações.