A Federação Única dos Petroleiros (FUP) apresentou nesta quarta-feira (25) uma defesa enfática para que a transição energética brasileira seja um vetor de desenvolvimento inclusivo. A entidade propõe que o processo não repita modelos que historicamente geraram exclusão, mas que, ao contrário, sirva como motor para a reindustrialização do país, a criação de empregos de qualidade e o fortalecimento das empresas estatais.
As diretrizes foram expostas pelo coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, durante o painel “Relações de Trabalho, Digitalização e Transição Justa”. O evento, realizado no Rio de Janeiro, foi organizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
Bacelar ressaltou que a transição energética é um campo em disputa e que o Brasil precisa trilhar um caminho próprio, pautado pela soberania e pela inclusão social. Segundo ele, a articulação com uma política industrial de longo prazo, com investimentos robustos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, é fundamental. O protagonismo das estatais neste cenário foi enfatizado como essencial.
“A transição energética no Brasil exige um olhar atento às diferenças tecnológicas e às potencialidades regionais, sob pena de reproduzir desigualdades e comprometer sua eficácia. Em um país de dimensões continentais, não há solução única ─ as rotas tecnológicas precisam dialogar com as vocações locais”, afirmou o dirigente. Ele defendeu a coordenação estatal do processo, visando a articulação entre inovação tecnológica e desenvolvimento regional.
O objetivo principal, conforme defendido pela FUP, é garantir não apenas a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também a geração de emprego de qualidade, renda e soberania, respeitando as particularidades de cada território. A entidade também alertou para a necessidade de qualificação profissional, fortalecimento dos serviços públicos e combate à pobreza energética, além da ampliação da proteção social para comunidades mais vulneráveis aos impactos da crise climática.
O painel contou com a participação de Adriana Marcolino, do Dieese; Fabiola Latino Antezano, da CUT; e Felipe Pateo, do Ipea. A mediação foi conduzida pelo jornalista Lucas Pordeus, da Agência Brasil. O seminário prossegue nesta quinta-feira (26), reunindo especialistas e representantes do setor público e sindical para debater os desafios e impactos da transição energética no desenvolvimento nacional.
**Reflexos para o Norte de Minas**
A proposta da FUP de uma transição energética focada em reindustrialização e geração de empregos de qualidade pode ter implicações significativas para o Norte de Minas Gerais. A região, que possui um potencial considerável em recursos naturais e mão de obra qualificada em setores como o agronegócio e a mineração, pode se beneficiar de políticas que incentivem a diversificação econômica e a criação de novas cadeias produtivas. O fortalecimento de estatais e o investimento em pesquisa e desenvolvimento abrem portas para que Montes Claros e municípios vizinhos se tornem polos de novas tecnologias e energias limpas, gerando oportunidades de trabalho e renda para a população local e combatendo a migração para grandes centros urbanos.