A recente filiação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, ao MDB, articulada diretamente pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), acende um alerta no Planalto. A manobra, que insere um partido cortejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no núcleo do governo paulista, reforça a estratégia de Tarcísio de controlar sua própria sucessão no estado, em um cenário de disputa com PL e PSD.
Aliados emedebistas de São Paulo, ouvidos pela reportagem, avaliam que a entrada de Ramuth na chapa majoritária do estado, ocupando a vice-governadoria, praticamente encerra as chances de o MDB compor com Lula em nível nacional. A tendência, segundo essas fontes, é que a sigla adote uma postura de neutralidade nas eleições presidenciais.
O Caminho até o MDB
Felício Ramuth, que em 2022 deixou o PSDB para se filiar ao PSD com a intenção de disputar o governo de São Paulo, acabou abrindo mão de sua candidatura para compor como vice na chapa de Tarcísio. Essa decisão estratégica foi um movimento ousado de Gilberto Kassab, então presidente nacional do PSD, visando romper com a hegemonia tucana no estado, o que se concretizou com a vitória da chapa.
Ao longo do mandato, Ramuth consolidou sua posição como vice leal e próximo ao governador, o que gerou um choque de interesses com Kassab. O presidente do PSD almejava a vaga de vice para viabilizar sua própria candidatura sucessória ao governo paulista, repetindo uma estratégia política que o levou à prefeitura de São Paulo em 2004.
Diante do impasse e da disposição de Ramuth em continuar na chapa, Kassab optou por romper com a aliança. A filiação de Ramuth ao MDB, com o aval e participação ativa de Tarcísio de Freitas, marca um novo capítulo. O governador paulista buscou aproximar o partido de sua gestão, que até então não ocupava cargos de destaque em seu primeiro escalão.
Impacto Político e Sucessão Estadual
Em um vídeo anunciando sua mudança, Ramuth declarou que a política é dinâmica e exige clareza de rumo, afirmando estar alinhado ao projeto liderado por Tarcísio. O governador já vinha estreitando laços com lideranças do MDB, incluindo o prefeito Ricardo Nunes e o deputado federal Baleia Rossi, presidente nacional da sigla, tendo atuado de forma decisiva na campanha de Nunes.
A chegada de Ramuth ao MDB é vista como um forte sinal político. Para além de reforçar a base de apoio de Tarcísio, o movimento sinaliza o desejo do governador de manter controle sobre a escolha de seu vice e, consequentemente, sobre sua sucessão. O PL também manifestou interesse em indicar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, para a vaga.
Com Tarcísio em seu segundo mandato, o vice se torna um potencial sucessor natural, como ocorreu com Geraldo Alckmin. Por isso, interlocutores indicam que o governador prefere um nome de sua total confiança, evitando negociações futuras com partidos que possam ter agendas próprias.
Embora a permanência de Felício Ramuth como vice seja a tendência, a confirmação final ainda depende do calendário eleitoral, segundo fontes próximas ao governador.
Reflexos para o Norte de Minas
A movimentação política em São Paulo, especialmente a aproximação entre o governo estadual e o MDB, pode ter desdobramentos indiretos para o cenário nacional e, por consequência, para o Norte de Minas. A consolidação de alianças regionais e a definição de candidaturas em estados-chave como São Paulo influenciam o equilíbrio de forças políticas em Brasília. Para a região, a definição de apoios presidenciais impacta a alocação de recursos e a atenção do governo federal a projetos locais, como infraestrutura e desenvolvimento econômico.