Pesquisador Afirma: Evocar Raízes Culturais de Alunos Transforma o Ensino e Fortalece Identidade nas Escolas Brasileiras

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Pesquisador Afirma: Evocar Raízes Culturais de Alunos Transforma o Ensino e Fortalece Identidade nas Escolas Brasileiras

Lucas dos Prazeres capacita 60 professores no Distrito Federal e defende que a cultura popular é ferramenta essencial para um aprendizado inclusivo e antirracista.

A inclusão das raízes culturais dos alunos no processo de ensino é um caminho fundamental para transformar a dinâmica da sala de aula e fortalecer a identidade das crianças e jovens. Essa é a premissa defendida por Lucas dos Prazeres, artista, educador e mestre em cultura popular, que está capacitando 60 professores do Distrito Federal em um projeto promovido pela Caixa Cultural.

O programa, intitulado ‘Reaprender Brincando’, propõe um olhar que integra a cultura e as brincadeiras das tradições populares diretamente na ementa escolar. Para Prazeres, a união entre ensino e identidade é crucial para uma proposta educacional verdadeiramente inclusiva, antirracista e representativa, indo além da ideia de que a arte deve ser apenas contemplada em atividades pontuais.

Cultura no Cotidiano: Além da Contemplação

Lucas dos Prazeres enfatiza que a cultura reside na dimensão cotidiana de cada local. Segundo ele, o caminho mais eficaz é praticar todas as disciplinas curriculares com base nas histórias do município, do bairro e no modo de vida de cada comunidade. Sua própria formação, conforme relata, foi profundamente influenciada pelo Morro da Conceição, em Pernambuco, onde nasceu e cresceu.

“Lá é uma encruzilhada de saberes, onde a diversidade cultural de Pernambuco se encontra e convive harmoniosamente na mesma praça”, destacou o pesquisador, ressaltando a riqueza do intercâmbio cultural em seu berço.

A Realidade do Material Didático e a Importância do Território

A percepção da desconexão entre o material didático e a realidade dos alunos não é nova. Prazeres lembra que a iniciativa de sua mãe, Lúcia, e sua tia, Conceição, em 1981, surgiu de uma necessidade similar. À época, a creche-escola comunitária da família recebia material do governo que não correspondia à realidade das crianças.

“Havia textos, por exemplo, que indicavam que uma criança havia visitado a fazenda do vovô. Tinha bastante criança na escola, mas nenhuma delas tinha um familiar com fazenda”, exemplificou, evidenciando como a falta de representatividade pode afastar o aluno do aprendizado.

O Papel Essencial de Educadores e Gestores

O educador explica que cabe aos professores de todos os níveis – da educação formal à informal – incluir a arte em sala de aula, mesmo em áreas tradicionalmente vistas como menos propícias, como as ciências exatas. A conexão com a própria história e cultura desde a primeira infância é vital para a construção da identidade cultural, defende Prazeres.

Para o pesquisador, gestores educacionais precisam compreender que a cultura na escola vai muito além de levar um artista para uma apresentação festiva. “É muito mais profundo do que isso. É necessário utilizar a cultura popular como ferramenta de aprendizado”, afirmou, sublinhando a necessidade de uma integração mais sistêmica e pedagógica.

Reflexos para o Norte de Minas

No Norte de Minas, região rica em manifestações culturais, folclore e comunidades tradicionais, a abordagem proposta por Lucas dos Prazeres ganha especial relevância. Escolas de Montes Claros, Janaúba, Januária e outras cidades podem se beneficiar ao integrar as histórias do cerrado, das festas populares, das tradições quilombolas e dos modos de vida locais ao currículo. Isso não apenas torna o ensino mais próximo da realidade dos alunos, mas também fortalece a identidade regional e valoriza o patrimônio cultural do Norte de Minas, promovendo um aprendizado mais significativo e enraizado.

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