Câmara dos Deputados debate desafios de mães de autistas e busca apoio legislativo em Brasília

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Câmara dos Deputados debate desafios de mães de autistas e busca apoio legislativo em Brasília

Sessão solene em Brasília destaca a sobrecarga de ‘mães atípicas’ e a urgência por terapias e mudanças no BPC.

A Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene em Brasília nesta terça-feira, 31 de março de 2026, para marcar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. O evento foi palco de depoimentos emocionantes de mães que enfrentam diariamente os desafios de cuidar de filhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que, por vezes, também necessitam de cuidados.

A enfermeira Bruna Esteves, do Rio de Janeiro, uma das “mães atípicas” presentes, relatou a intensa pressão física e mental que vivencia. “Para uma criança autista poder caminhar, evoluir, ela precisa de uma mãe que também receba o suporte necessário”, pontuou Esteves, sublinhando a importância de apoiar quem cuida.

A Realidade das Mães Atípicas e a Urgência por Suporte

Simone Andrade, presidente da Associação Desenvolve no Espectro, reforçou a necessidade de atenção a essas mulheres. Para Andrade, as mães atípicas não devem ser romantizadas, mas sim cuidadas e amparadas. A fala ressoa com a realidade de muitas famílias que buscam apoio.

Dirigentes de instituições especializadas no cuidado de crianças com TEA também participaram da sessão, clamando por mais apoio financeiro. Conforme os relatos, as filas para atendimento são longas, uma vez que o Estado não consegue suprir a demanda por médicos e terapias. Outro ponto crítico levantado foi a carência de mediadores para acompanhar as crianças com autismo nas escolas públicas, um obstáculo direto à inclusão educacional.

Agenda Legislativa em Pauta

No âmbito legislativo, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ), uma das solicitantes da sessão, anunciou uma iniciativa importante. Ela sugerirá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a criação de um período específico em abril para a votação de projetos de lei relacionados ao autismo. “Que no mês de abril a gente possa selecionar os projetos de lei que estão maduros para votação, para que a gente possa aqui no Plenário votar e aprovar de forma consensuada”, disse a parlamentar.

A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), por sua vez, defendeu a retirada da condicionalidade de renda para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) por pessoas com autismo. Atualmente, a regra exige a comprovação de renda familiar inferior a R$ 405,25 por pessoa, um valor que, para muitas famílias, não reflete a complexidade e os custos inerentes aos cuidados de uma pessoa com TEA.

Reflexos para o Norte de Minas

Os desafios e as reivindicações levantadas na Câmara dos Deputados ressoam profundamente com as famílias do Norte de Minas. A região, assim como outras partes do país, enfrenta carências significativas em termos de acesso a terapias especializadas, como fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, essenciais para o desenvolvimento de crianças com TEA. A falta de mediadores nas escolas públicas é um problema presente em diversas cidades mineiras, incluindo Montes Claros e municípios vizinhos, dificultando a inclusão plena.

Associações locais e grupos de pais no Norte de Minas frequentemente mobilizam-se para buscar apoio e recursos, ecoando a demanda por maior sensibilidade na legislação, especialmente no que tange ao BPC. A discussão em Brasília serve como um importante catalisador para que as autoridades estaduais e municipais de Minas Gerais, e em particular do Norte de Minas, reforcem suas políticas públicas e investimentos para atender a essa parcela da população que necessita de atenção e suporte contínuos.

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