A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (15) que irá parcelar o reajuste do preço do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras. A medida visa mitigar o impacto imediato de um aumento considerável no combustível, que tem gerado preocupações no setor aéreo nacional.
O Combustível e a Escalada de Preços
O querosene de aviação é o insumo principal para o abastecimento de aeronaves, e sua precificação segue um cronograma mensal. Em abril, o reajuste anunciado pela estatal foi de, em média, 55%, um salto expressivo em comparação com os meses anteriores. Em março, o aumento foi de 9%, e em fevereiro, o preço chegou a cair 1%.
A disparada nos valores é atribuída principalmente à instabilidade geopolítica no Oriente Médio. A região é um ponto estratégico para a produção e o transporte de petróleo, com rotas vitais como o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da oferta global. A guerra na área tem provocado distorções na cadeia de suprimentos e redução na oferta de petróleo no mercado internacional.
Atualmente, o barril do tipo Brent, referência internacional, está sendo negociado acima de US$ 101 (aproximadamente R$ 520), um patamar significativamente superior aos cerca de US$ 70 antes do conflito.
Detalhes do Parcelamento e Refinarias
A Petrobras divulgou uma tabela com os novos preços do QAV em seu site oficial, detalhando reajustes que variam entre 53,4% e 56,3% em 14 pontos de venda. Um exemplo notável é na Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), onde o litro do combustível passou de R$ 3,49 para R$ 5,40.
A companhia é responsável pela comercialização do QAV para as distribuidoras, seja o produto de suas próprias refinarias ou importado. Após a aquisição pelas distribuidoras, o combustível é transportado e revendido aos consumidores finais, como companhias aéreas e outros usuários, em aeroportos ou através de revendedores.
Embora a Petrobras detenha aproximadamente 85% da produção de QAV, o mercado opera em regime de livre concorrência, permitindo a atuação de outras empresas como produtoras ou importadoras.
Impacto para o Norte de Minas
A decisão da Petrobras de parcelar o reajuste do querosene de aviação pode trazer um alívio temporário para as companhias aéreas que operam na região. Companhias aéreas que utilizam o Aeroporto de Montes Claros, por exemplo, poderão ter uma margem maior para absorver os custos, evitando repasses imediatos e expressivos nas passagens aéreas para o Norte de Minas.
A estabilização, ainda que parcial, dos preços do QAV é vista com bons olhos por empresários e turistas que dependem do transporte aéreo para deslocamentos na região e para o restante do país. A expectativa é que essa medida contribua para manter a previsibilidade nos custos operacionais das empresas aéreas que servem o Norte de Minas.