O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (5) que forças americanas resgataram com sucesso o segundo piloto que havia sido abatido em território iraniano. Trump classificou a missão de busca e resgate como “uma das mais ousadas da história dos Estados Unidos” e a descreveu como “milagrosa”. A declaração ocorre em um momento de crescente escalada de tensões na região, com o Irã lançando mísseis e drones contra Bahrein, Israel e Kuwait no mesmo dia.
O resgate ousado e a versão iraniana
Em postagem na rede social Truth Social, Trump detalhou que o piloto estava “atrás das linhas inimigas, nas traiçoeiras montanhas do Irã, sendo caçado por nossos adversários”. Ele acrescentou que o militar sofreu ferimentos, mas está bem. A operação bem-sucedida soma-se ao resgate de outro piloto realizado no dia anterior, cuja confirmação pública foi evitada para não comprometer a segunda missão.
Contudo, a mídia iraniana reportou que cinco pessoas morreram durante a operação de resgate americana. O Irã sustenta que suas forças abateram o avião, uma versão que também circulou na imprensa dos EUA, embora o governo americano não tenha confirmado oficialmente o abate.
Conflito se alastra e ameaças nucleares
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, já se expandiu por todo o Oriente Médio, impactando a economia global. Teerã praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo e gás, e intensificou ataques contra Israel e países do Golfo. Em retaliação, bombardeios americano-israelenses atingiram alvos econômicos estratégicos iranianos.
No sábado (4), um ataque a um polo petroquímico no sudoeste do Irã resultou na morte de cinco pessoas, segundo o vice-governador da província de Khuzistão. Trump, por sua vez, reiterou sua ameaça anterior, dando ao Irã um prazo de 48 horas para fechar um acordo, sob pena de enfrentar “o inferno”. O comando militar iraniano rejeitou a ameaça, classificando-a como “desesperada, nervosa, desequilibrada e estúpida”.
Ataques e preocupações com a usina de Bushehr
O conflito se manifestou através de ataques diretos, como um drone iraniano que provocou um incêndio em um tanque de armazenamento da Bapco Energies no Bahrein, e a queda de destroços em uma instalação petroquímica em Abu Dhabi. O Hezbollah, aliado do Irã, afirmou ter atingido um navio de guerra israelense na costa libanesa, o que Israel não confirmou.
No Irã, um ataque próximo à usina nuclear de Bushehr no sábado matou um guarda. A Rússia, responsável pela instalação, anunciou a evacuação de 198 trabalhadores e condenou o ato. O chanceler iraniano alertou que novos ataques à usina poderiam causar precipitação radioativa com alcance devastador. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou “profunda preocupação”, registrando o quarto ataque do tipo nas últimas semanas.
Repressão interna e bloqueio de internet
Em meio ao conflito externo, o Irã intensificou a repressão interna. O Judiciário anunciou a execução de dois homens condenados por suposta colaboração com Israel e os Estados Unidos. Paralelamente, o monitor NetBlocks informou que o bloqueio da internet no país se tornou o mais longo da história nacional.
A situação humanitária no sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel, é descrita como trágica, com moradores vivendo sob constante bombardeio e em estado de terror, segundo relatos à AFP.