Brasil mantém 2º lugar em reservas globais de terras raras, com 15% do total, aponta nova estimativa

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Um conjunto crucial de minerais e materiais, conhecidos como elementos terras raras (ETR), assume crescente importância estratégica e geopolítica, sendo essenciais para a transição energética e tecnologias avançadas. Atualizações periódicas sobre as reservas globais, compiladas principalmente pelo U.S. Geological Survey (USGS), indicam uma tendência de decréscimo no volume total de óxidos totais de terras raras equivalente (OTR).

Reservas globais e a posição brasileira

A edição de 2026 do Mineral Commodity Summaries do USGS (ano-base 2025) aponta uma diminuição nas reservas globais de ETR, que caíram de 110 milhões de toneladas (Mt) em 2023 para 85 Mt em 2025. Nesse cenário, a China lidera com 44 Mt (52% do total), enquanto o Brasil figura em segundo lugar. Inicialmente, o USGS estimava as reservas brasileiras em 21 Mt (25%), mas uma revisão recente da Agência Nacional de Mineração (ANM) reduziu esse número para 11,4 Mt de OTR.

Revisão da ANM e alinhamento internacional

A Agência Nacional de Mineração (ANM) ajustou para baixo as reservas brasileiras com base no Relatório Anual de Lavra (RAL) de 2023. Essa revisão segue as normas da Comissão Brasileira de Recursos e Reservas (CBRR) e se alinha às boas práticas internacionais, como o padrão do Committee for Mineral Reserves International Reporting Standards (CRIRSCO), ao qual a CBRR está associada. Com a reserva global estimada em 75 Mt para o ano-base 2025 e o volume brasileiro revisado para 11,4 Mt, o Brasil mantém sua posição em segundo lugar, representando 15% das reservas mundiais.

Potencial de crescimento e novas tecnologias

O Brasil ainda não contabiliza oficialmente depósitos de terras raras em argilas de adsorção iônica, um segmento que tem atraído o interesse de empresas de mineração. Levantamentos preliminares indicam a existência de cerca de 2 Mt de OTR nesses depósitos, que provavelmente serão reconhecidos pela ANM em breve. Esses depósitos são vantajosos por demandarem menor investimento e custos operacionais, além de apresentarem características favoráveis em termos de radioatividade e teor de ETR pesados.

Investimentos e produção em expansão

Os investimentos em pesquisa mineral de ETR no Brasil têm crescido significativamente, saltando de R$ 2 milhões em 2021 para R$ 90 milhões em 2024. Globalmente, os investimentos em pesquisa atingiram cerca de US$ 150 milhões em 2024 e 2025, com a Austrália liderando. O Brasil ocupou a segunda posição em 2024, com US$ 13 milhões investidos. A produção mundial de ETR também apresentou um aumento expressivo, chegando a 390 kt em 2025, embora a China continue dominando com 69% da produção.

Novas operações e futuro da produção brasileira

Um marco importante é o início da operação da Mineração Serra Verde, em Minaçu-GO, em janeiro de 2024. Sendo a primeira produção de minério de argila iônica fora da Ásia, a empresa tem capacidade de 5 kt de OTR. Para o período de 2026 a 2030, projeta-se um investimento de US$ 2,4 bilhões na produção de terras raras no Brasil, com potencial para o país alcançar 10% da produção mundial até 2030.

Refino e valor de mercado

A China detém a vasta maioria da capacidade mundial de refino de ETR (85-90%). O Brasil, atualmente, exporta concentrados minerais e MREC para refino. O valor de mercado dos produtos de ETR é estimado em US$ 3 bilhões na etapa upstream, US$ 5 bilhões no midstream e US$ 40 bilhões no downstream, com os ímãs permanentes de ETR representando uma fatia significativa. O país enfrenta o desafio de capturar valor nas etapas intermediárias e finais da cadeia produtiva.

Oportunidades e desafios para o Brasil

O Brasil possui condições favoráveis, como infraestrutura, matriz energética renovável e diplomacia comercial, para desenvolver a cadeia produtiva de ETR. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, apoiados por políticas como a Nova Indústria Brasil (NIB), estão em curso. A geopolítica das terras raras exige celeridade e estratégia para que o país consolide um setor competitivo e sustentável.

VII Seminário Brasileiro de Terras Raras

Para aprofundar o debate e a atualização tecnológica sobre o tema, o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras ocorrerá nos dias 1º e 2 de julho no Rio de Janeiro. O evento, organizado pelo CETEM em parceria com a Finep e o MCTI, é uma referência na área e busca promover discussões sobre as propostas nacionais para o setor.

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