A recente aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, celebrado como um marco histórico para o comércio global, tem gerado reações diversas. Enquanto líderes sul-americanos e parte da Europa comemoram a iniciativa, que visa criar um dos maiores blocos de livre comércio do mundo, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifesta a necessidade de uma abordagem cautelosa.
A entidade destaca que a implementação do acordo exige atenção minuciosa aos impactos diretos que ele trará para o setor industrial, especialmente para a economia mineira, que mantém uma relação comercial robusta com o bloco europeu. Entre 2022 e 2025, as exportações de Minas Gerais para a União Europeia alcançaram aproximadamente US$ 31 bilhões, com importações totalizando US$ 13,38 bilhões, demonstrando a relevância estratégica desse intercâmbio.
Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, celebrou a aprovação, ressaltando o fortalecimento do multilateralismo e o potencial de acesso a produtos mais baratos e de melhor qualidade. Segundo o Ministério, o acordo, que abrange um mercado de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 22,4 trilhões, conforme citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o maior já negociado pelo Mercosul e um dos maiores para a União Europeia.
Apesar do avanço, o pacto ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e da assinatura dos congressos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A previsão é que a assinatura ocorra no dia 17 de janeiro, no Paraguai, caso as etapas restantes sejam concluídas com sucesso.
Reflexos para o Norte de Minas
A consolidação do acordo UE-Mercosul pode trazer novas dinâmicas para o comércio exterior do Norte de Minas. Embora a Fiemg foque na indústria geral, é fundamental que as pequenas e médias empresas da região, que buscam expandir suas operações internacionais, estejam atentas às novas oportunidades e aos desafios tarifários que podem surgir. A competitividade de produtos locais no mercado europeu e a atração de investimentos europeus para setores estratégicos da região, como o agronegócio e a mineração, serão aspectos cruciais a serem monitorados para o desenvolvimento econômico do Norte de Minas.