Por que o sucesso é visto como pecado no Brasil? A história de Mauá e Luana Lopes Lara revela raízes profundas

PUBLICIDADE

A trajetória de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, e a ascensão recente de Luana Lopes Lara ao seleto grupo de jovens bilionários brasileiros, expõem uma faceta persistente e lamentável da cultura nacional: a desconfiança e a antipatia em relação ao sucesso financeiro e ao empreendedorismo. Ambos, em épocas distintas, enfrentaram ou enfrentam o estigma de serem bem-sucedidos em um país que, paradoxalmente, clama por desenvolvimento.

O Legado de Mauá: Pioneirismo e Perseguição Institucional

Considerado por muitos o maior empreendedor da história brasileira, o Barão de Mauá, nascido Irineu Evangelista de Souza, foi um visionário que impulsionou o Brasil Império com inovações como o primeiro estaleiro, a introdução da navegação a vapor na Amazônia, a primeira ferrovia e a iluminação pública a gás. Sua ambição de construir um país moderno via investimento privado e infraestrutura, no entanto, esbarrou em choques regulatórios e políticos.

Apesar de sua fortuna e contribuições significativas, Mauá tornou-se alvo de uma burocracia imperial que via com desconfiança seu poder e autonomia. Mudanças arbitrárias de regras e favorecimentos a concorrentes alinhados ao poder minaram seus empreendimentos. Em sua autobiografia, ele descreve como o sucesso, em vez de ser celebrado, era visto como algo a ser penalizado, uma lição amarga que ecoa até hoje.

Luana Lopes Lara: O Sucesso Contemporâneo Sob Olhar Crítico

Mais de um século depois, a história de Luana Lopes Lara, uma jovem brasileira formada em balé clássico e em Ciência da Computação pelo MIT, que fundou a Kalshi, uma bolsa de eventos futuros, ilustra a persistência desse padrão cultural. Ao se tornar bilionária e figurar entre os mais jovens do mundo a construir a própria fortuna, Luana deveria ser motivo de orgulho nacional.

Contudo, no Brasil, sua conquista gerou reações que buscaram imputar-lhe sentimentos de culpa e vergonha, evidenciando uma cultura de ressentimento que parece não perdoar quem prospera pelo próprio mérito e ousadia. Essa mentalidade, segundo o autor, é uma herança dos tempos imperiais que perpetua mazelas institucionais.

Uma Cultura que Punhye o Empreendedorismo

A verdade é que empreender no Brasil frequentemente se assemelha a nadar contra a corrente. A riqueza desperta antipatia, e o país parece punir aqueles que ousam antecipar o futuro com inovação e arriscam construir algo novo. Em vez de admirar quem cria, muitas vezes cultiva-se inveja e críticas enviesadas.

Essa aversão ao sucesso individual e ao empreendedorismo é um obstáculo significativo para o desenvolvimento econômico e social do país. A lição de figuras como Mauá e o exemplo de jovens como Luana Lopes Lara deveriam servir como inspiração para uma mudança de mentalidade, celebrando o mérito e a capacidade de gerar riqueza e progresso.

Reflexos para o Norte de Minas

A persistente visão de que o sucesso é um pecado no Brasil tem implicações diretas para o desenvolvimento do Norte de Minas. A falta de incentivo ao empreendedorismo e a aversão ao risco podem desestimular investimentos e a criação de novas empresas na região. Empreendedores locais, ao buscarem inovar e expandir seus negócios, podem se deparar com um ambiente cultural que, em vez de apoiar, gera desconfiança. A valorização do sucesso e do mérito é fundamental para que o Norte de Minas possa prosperar, atraindo talentos e recursos para impulsionar sua economia e melhorar a qualidade de vida de seus habitantes.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima