Brasil em 2026: Caos Interno e Ordem Global Abatida pela Força, Diz Ives Gandra

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O início de 2026 se apresenta sob um cenário internacional turbulento e com desafios internos agudos para o Brasil, segundo a análise do jurista Ives Gandra da Silva Martins. A prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, após uma eleição questionada, e a subsequente intervenção militar dos Estados Unidos expõem a fragilidade das normas internacionais e a prevalência do “direito à força” sobre a “força do direito”.

Gandra aponta que a invasão de um país soberano, embora juridicamente injustificável, encontra precedentes em diversas regiões do globo, evidenciando a incapacidade da ONU em impor seus próprios regulamentos. A ausência de declarações formais de guerra, como a observada entre Rússia e Ucrânia, e a presença do presidente brasileiro em Moscou durante o desfile militar de 9 de maio, são sinais de uma afinidade diplomática com regimes autoritários, segundo o jurista.

O jurista lamenta que as normas da ONU, criadas com o ideal de paz mundial após a Segunda Guerra Mundial, estejam longe de serem cumpridas. Em vez disso, o que se testemunha é a perpetuação de conflitos e a ascensão de líderes como Maduro, acusado de genocídio e corrupção sistêmica, que se sustentou no poder através da repressão e fraude eleitoral.

Crise nos Três Poderes Brasileiros

No plano interno, Ives Gandra expressa profunda preocupação com o desequilíbrio entre os Três Poderes no Brasil. Ele descreve um Legislativo “amofo”, um Executivo que “gasta o que não tem”, um Banco Central em constante luta contra a inflação e um Judiciário que, segundo ele, perdeu a credibilidade de outrora.

A atuação do Congresso Nacional é criticada pelo volume de emendas destinadas ao interesse individual dos parlamentares, em detrimento das necessidades do país. Gandra também questiona os índices de desemprego divulgados, citando a permanência de sete milhões de famílias no Bolsa Família por uma década como um indicativo de estagnação na busca por ocupação, e não de uma queda real no desemprego.

As contas públicas brasileiras são descritas como em estado crítico, com um déficit crescente e endividamento preocupante. O jurista menciona a falha na implementação do arcabouço fiscal e aponta para um possível aparelhamento no Judiciário, onde a influência de parentes de ministros preteria advogados comuns.

Saudosismo de um Tempo de Respeito Institucional

Gandra evoca uma nostalgia pelos tempos em que os ministros do Supremo Tribunal Federal, como Moreira Alves e Oscar Corrêa, impunham respeito pela mera presença. Hoje, os ministros precisariam de segurança para transitar em locais públicos, e o jurista, embora admire a capacidade técnica dos atuais magistrados, diverge profundamente de suas interpretações constitucionais e posicionamentos.

A principal aspiração de Ives Gandra para 2026 é o retorno dos poderes à sua essência original: o Legislativo legislando e defendendo sua competência, o Executivo administrando com zelo as contas públicas, e o Judiciário agindo com imparcialidade para garantir a estabilidade institucional. Essa visão remonta aos tempos de sua trajetória na advocacia, iniciada em 1957.

Reflexos para o Norte de Minas

A instabilidade política e econômica global, exemplificada pela situação na Venezuela e pela postura de potências mundiais, pode ter efeitos indiretos no Norte de Minas. A dependência de acordos internacionais e a volatilidade do mercado financeiro impactam diretamente o desenvolvimento regional, que busca atrair investimentos e gerar empregos. A polarização política interna no Brasil também pode afetar a capacidade de implementação de políticas públicas regionais, dependendo do alinhamento entre os governos federal, estadual e municipais, incluindo cidades como Montes Claros.

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