Museu em Salvador Repatria Mais de 600 Obras de Arte Afro-Brasileiras Históricas

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O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, localizado em Salvador, Bahia, celebra um marco histórico com a repatriação de 666 obras de arte afro-brasileiras. Esta coleção, que pertenceu ao acervo Con/vida, de curadoria das americanas Bárbara Cervenka e Marion Jackson, representa a maior aquisição do tipo na história do país e enriquece significativamente o patrimônio cultural brasileiro.

As peças, produzidas por 135 artistas ao longo de décadas, estavam em posse de uma coleção privada nos Estados Unidos há mais de 30 anos. A repatriação, viabilizada com o apoio logístico e negocial do Ministério da Cultura, foi concluída com a chegada do acervo a Salvador em 12 de janeiro.

Con/vida: Guardiãs da Arte Afro-Brasileira

A coleção Con/vida foi organizada pela artista plástica Bárbara Cervenka e pela historiadora de arte Marion Jackson. A ONG Con/vida, sediada em Detroit, EUA, dedicou anos à preservação e divulgação da produção artística afro-brasileira, realizando exposições e estudos em território americano e canadense.

A iniciativa das curadoras americanas foi fundamental para salvaguardar e dar visibilidade a artistas que, muitas vezes, tiveram suas obras marginalizadas pelas instituições culturais hegemônicas no Brasil.

Riqueza e Diversidade do Acervo Repatriado

O conjunto de obras repatriadas abrange diversas linguagens artísticas, incluindo pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra e gravuras. O acervo destaca narrativas, técnicas e imaginários historicamente sub-representados, oferecendo um panorama rico da estética, simbolismo e política da produção afro-brasileira.

Entre os artistas representados estão nomes proeminentes da cena afro-brasileira, como J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia e Manoel Bonfim, cujas obras retratam diferentes gerações e territórios do país.

Impacto para o Brasil e a Bahia

A incorporação deste acervo ao Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira reforça o compromisso da instituição com a valorização da cultura de matriz africana e sua profunda influência na formação da identidade brasileira. A expectativa é que as novas obras proporcionem um entendimento mais aprofundado sobre a diversidade e a resiliência da arte afro-brasileira, servindo como fonte de pesquisa e inspiração.

A repatriação representa não apenas um resgate histórico, mas também um passo importante para a reparação e o reconhecimento da contribuição afro-brasileira para as artes visuais do país, consolidando Salvador como um centro vital para a preservação e celebração dessa herança cultural.

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