Bloco da Capoeira Celebra a Ancestralidade e a Arte de Sambare no Carnaval de Salvador 2026

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O Bloco da Capoeira, que desde 2001 luta pela valorização das tradições de matriz africana, se prepara para desfilar no Circuito Osmar do Carnaval de Salvador em 2026 com um enredo que promete emocionar e educar: ‘Roda de Capoeira: Campo de Mandinga, Ancestralidade e Resistência na Arte de Sambar’. Parte dos projetos da Associação Sociocultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro-Mangangá, sediada no bairro do Pau Miúdo, a iniciativa busca ir além da visão comum da capoeira como apenas uma roda de luta e dança.

Tonho Matéria, cantor, compositor e gestor da associação, relembra os desafios para concretizar o desfile. “Só em 2008, com a ideia de apresentar a capoeira como tema do Carnaval para a prefeitura e o ComCar, o bloco ganhou força”, explica. “Hoje, completamos 18 anos de desfile, contando histórias e trazendo narrativas para a sociedade entender que a capoeira é muito mais do que se vê na roda”.

A Arte de Sambar e as Origens do Batuque

Este ano, o carnaval tem o samba como tema central, e o Bloco da Capoeira propõe uma reflexão sobre a “arte de sambar”. Matéria ressalta a influência histórica da capoeira em manifestações como o samba de roda e o maculelê. “Os capoeiristas foram fundamentais para movimentar essas expressões”, afirma. Ele detalha que, especialmente na capoeira regional, Mestre Bimba incorporou elementos do batuque, uma luta e dança praticada por seu pai e outros mestres antigos. O desfile explorará esse enredo através de alas temáticas.

Afrofuturismo e Simbolismos nas Alas

Inspirado no afrofuturismo, o cortejo apresentará alas que narram a trajetória, a importância e o legado das rodas de capoeira em diferentes espaços da cidade. Entre os sub-temas, destacam-se a “Roda da Negaça”, que explora as formas simbólicas do corpo e as negações através da corporalidade; a “Roda dos Malungos”, representando os amigos da capoeira; e a “Ala dos Maniques”, que remete aos povos mandingas e sua influência na Revolta dos Malês. A vestimenta usada pelos maniques, o abadá, é a mesma utilizada hoje na capoeira. Haverá ainda a “Ala da Resistência” e a “Ala da Ancestralidade”, que homenageia orixás ligados à capoeira, explorando as simbologias e cores que carregam significados profundos.

Conexões Culturais para o Futuro

O Bloco da Capoeira não apenas celebra o passado, mas também projeta um futuro onde a riqueza das manifestações afro-brasileiras seja cada vez mais reconhecida e integrada à identidade cultural do país. A iniciativa reforça o papel da capoeira como um pilar de resistência, ancestralidade e expressão artística, conectando gerações e promovendo a cultura do povo preto em um dos maiores palcos do Brasil.

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