A partir deste mês, milhões de brasileiros com renda mensal bruta de até R$ 5 mil já sentem a diferença no bolso. A nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, que entrou em vigor em janeiro, torna isentos do tributo os trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas que se enquadram nessa faixa salarial. Para aqueles com rendimentos entre R$ 5.001 e R$ 7.350, a redução do imposto retido na fonte será gradual.
A medida, que já impacta os salários pagos a partir de janeiro com reflexo nos pagamentos de fevereiro, é uma iniciativa do governo federal para aliviar a carga tributária sobre a classe trabalhadora. O Ministério da Fazenda estima que cerca de 16 milhões de pessoas serão beneficiadas diretamente pela isenção total.
Impacto no Dia a Dia: Histórias de Alívio Financeiro
Genival Gil, pedreiro de 49 anos do Distrito Federal, é um dos que aguardam ansiosamente pelo contracheque. Com um salário pouco acima de R$ 2,7 mil, a isenção significa mais dinheiro para despesas básicas. “Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, planeja Genival, que mora de aluguel.
O jardineiro Arnaldo Manuel Nunes, 55 anos, também comemora a novidade. Ganhando um salário mínimo de R$ 2.574, ele vê a medida como um respiro no orçamento. “Mal dá para o cara se manter. Mas vou gastar com [as contas de] água e luz, que estão um absurdo”, comenta.
Desconhecimento e Expectativas: A Nova Realidade Tributária
Apesar da magnitude da mudança, nem todos os trabalhadores estão plenamente cientes das novas regras. A atendente de caixa Renata Correa, que recebe R$ 1.620, demonstrou surpresa ao ser informada sobre a isenção. Seus planos incluem economizar o valor que antes ia para o imposto. “Vou fazer uma rendinha extra e deixá-la guardadinha para poder chegar ao fim do ano ou usar em datas especiais. Até mesmo usar em uma emergência.”, declarou.
Renata pretende avisar seus colegas de trabalho e ficar atenta ao contracheque para garantir que a isenção seja aplicada corretamente. O conselheiro do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos, tranquiliza os trabalhadores, afirmando que os cálculos são automáticos nos sistemas de folha de pagamento. “Quem tem emprego, não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas de pagamento.”, explicou.
Compensação Fiscal: Quem Paga a Conta?
A renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões será compensada com a criação do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado para os mais ricos. A nova tributação atinge rendas mensais acima de R$ 50 mil (com alíquotas progressivas de até 10%) e um percentual mínimo efetivo de 10% para rendas anuais superiores a R$ 1,2 milhão. O governo federal estima que cerca de 141 mil contribuintes de alta renda serão afetados.
Adriano Marrocos avalia que o impacto na arrecadação federal será mínimo, visto que a renúncia se concentra na faixa de R$ 3.036,01 a R$ 5 mil, enquanto novas fontes de arrecadação, como a tributação sobre lucros e dividendos, foram implementadas. O gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques, 23 anos, considera a medida justa. “É legal porque, nesses casos, vai taxar os que recebem mais. Eles pagam mais, e quem recebe menos, paga menos. Essa é a lógica.”, disse.
Declaração Anual de Imposto de Renda: O Que Muda?
É importante notar que as alterações na tabela do IRPF só se refletirão na declaração anual de 2027, referente aos rendimentos de 2026. Para a declaração que será entregue em maio deste ano, nada muda. As principais deduções, como para dependentes, despesas com educação e o desconto simplificado, permanecem as mesmas.
Marrocos ressalta que a dispensa da entrega da declaração em 2026 para quem ganha menos de R$ 5 mil considera não apenas o rendimento tributável, mas também rendimentos isentos, não tributáveis e bens. Contribuintes com múltiplas fontes de renda, mesmo que cada uma isoladamente seja inferior a R$ 5 mil, podem precisar complementar o imposto na declaração anual.
A sugestão para evitar erros no preenchimento das declarações futuras é conferir atentamente o Informe de Rendimentos fornecido pelas empresas. Os dados gerados pelas empresas são enviados à Receita Federal, minimizando a ocorrência de erros. A declaração pré-preenchida pela Receita Federal também é uma ferramenta valiosa para conferência antes do envio.