Malê Debalê celebra ancestralidade negra e impulsiona cultura em Itapuã, Salvador

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O Malê Debalê, icônico bloco afro de Salvador, reforça sua missão de exaltar a ancestralidade e a rica cultura negra, com um olhar especial para o bairro de Itapuã. A agremiação, que se destaca pela formação artística e pela valorização das identidades que moldam a história local e da capital baiana, mantém seu compromisso com a comunidade.

Origens e Reconhecimento Internacional

Fundado no final da década de 1970, o Malê Debalê nasceu do desejo de jovens em promover uma representação mais forte e positiva de Itapuã, abordando questões como infraestrutura, educação e urbanismo. O sucesso foi imediato, com o bloco sagrando-se campeão do Carnaval já em seu primeiro ano. A visão da diretoria expandiu o projeto para além da folia momesca, investindo em alas de dança. Esse trabalho culminou em um reconhecimento global em 1997, quando o New York Times o elegeu como o maior balé afro do mundo, um feito que Cláudio de Araújo, presidente da agremiação, descreve como “algo assim surreal”.

Carnaval 2026: A Corte de Oxalá em Destaque

Para o Carnaval de 2026, o Malê Debalê apresentará o tema “Malê na Corte de Oxalá”, uma celebração da fé, ancestralidade e da realeza espiritual do povo negro. Este desfile dá continuidade a um projeto iniciado em 2025 com a temática “Exú”. O presidente Cláudio de Araújo explicou que, embora todos os orixás estejam envolvidos na temática da “Corte de Oxalá”, o foco será em elementos representativos para o desfile. Serão 23 alas de dança, cada uma dedicada a um orixá como subtema, prometendo um espetáculo grandioso e repleto de significado.

Negra e Negro Malezinho: Valorizando a Identidade Negra

O concurso Negra e Negro Maê Adulto e o festival de dança Malezinho são iniciativas fundamentais do Malê Debalê para fortalecer a identidade negra. Através do reconhecimento de personalidades negras que marcaram história, a agremiação busca inspirar as novas gerações. “Até dois anos atrás, nós intitulávamos esse processo de seleção como escolha da Negra e Negro Malezinho. Mas a gente sabe que pais e mães, eles querem sempre que seus filhos cheguem no pódio em primeiro lugar. Existia um certo conflito, sabe? A não entenderem que a gente estava aqui procurando enaltecer a memória, sobretudo, daqueles jovens negros, reis e rainhas que vieram em porões de navios e que a gente, enquanto diretoria do Malê Debalê, tenta devolver isso de uma forma macro”, explicou Araújo. A crença na educação como ferramenta de transformação social é um pilar para a organização.

Vozes da Juventude: Esperança e Representatividade

Dandara Lima, de 9 anos, eleita Negra Malezinho de 2026, expressou o significado do título: “Ser Negra Malezinho, para mim, é motivo de esperança, perseverança e também eu acredito que o maior balé afro do mundo, o Malê, ele ajuda as crianças a seguirem pelo caminho certo e não seguirem pelo caminho errado. Eles ensinam a respeitar, a cuidar e também empoderam as crianças negras da sua comunidade.” Iago Carvalho, de 12 anos, o novo Rei Malezinho, compartilhou sua felicidade em poder representar outras crianças: “Eu me sinto feliz por poder representar crianças que querem concursar e querem chegar ao mesmo lugar que eu estou hoje. Para mim, ser Negro Malezinho é poder representar outras crianças e exaltar minha ancestralidade.”

Impacto para o Norte de Minas

Embora o Malê Debalê esteja localizado em Salvador, Bahia, a celebração da ancestralidade e da cultura negra promovida pelo bloco ecoa em todo o Brasil. Iniciativas como o Malê Debalê reforçam a importância do reconhecimento e da valorização da identidade afro-brasileira, inspirando projetos semelhantes em outras regiões. No Norte de Minas, onde a diversidade cultural é um pilar, a força dessas manifestações artísticas serve como um lembrete da riqueza histórica e da contribuição inestimável da população negra para a formação da identidade nacional e regional.

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