Carnaval no Vale do Aço: Quase 65 Mil Pequenos Negócios Aquecem Economia Local em Minas Gerais
Mesmo sem tradição consolidada, festividade de 2026 impulsiona setores como alimentação, artesanato e serviços, gerando R$ 5,75 bilhões em todo o estado.
O Carnaval de 2026 projeta uma injeção de R$ 5,75 bilhões na economia de Minas Gerais, atraindo uma estimativa de 13,2 milhões de foliões, conforme dados da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult). No Vale do Aço, especificamente nas cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso e Timóteo, a ausência de uma programação oficial de grande porte não diminui o potencial de aquecimento econômico. A festividade representa uma oportunidade estratégica para quase 65 mil pequenos negócios, incluindo 37.975 Microempreendedores Individuais (MEI).
Esses empreendimentos, que abrangem setores como alimentação, artesanato, vestuário, economia criativa e serviços, podem registrar um aumento significativo em vendas e visibilidade. Francismar Valadares, analista do Sebrae Minas, destaca a importância de estratégias como ambientação temática, produtos personalizados, promoções pontuais, presença ativa nas redes sociais e parcerias locais para potencializar os resultados.
Oportunidades para o Empreendedor Local
“O Carnaval é um momento estratégico para os empreendedores aplicarem técnicas de marketing sazonal e planejamento comercial”, explica Valadares. Ele reforça que, mesmo em regiões sem tradição carnavalesca forte, a data cria diversas oportunidades de consumo, desde itens temáticos até experiências gastronômicas e de lazer. “É fundamental que o empresário se antecipe, planeje o estoque, capacite a equipe e aproveite o período para conquistar novos clientes”, complementa o analista.
Artesanato e Criatividade Impulsionam Vendas
A artesã Angélica Cristina, proprietária da Kombiju, exemplifica essa tendência. Desde 2018, ela transformou sua paixão em negócio, expandindo a atuação com uma Kombi-loja móvel. Para o Carnaval, Angélica produz cerca de 400 peças temáticas e atende encomendas personalizadas. “O Carnaval é a época em que mais trabalhamos. A demanda aumenta muito e exige planejamento, mas a visibilidade também cresce bastante, porque as clientes usam as peças e marcam o nosso perfil nas redes sociais”, relata Angélica, que reside em Ipatinga.
Outro caso de sucesso é a Podre de Chic, marca de acessórios e adereços carnavalescos criada em 2019 por Iwana Raydan e uma amiga em São Paulo. Com ateliê em Ipatinga, Iwana produz peças artesanais em tiragens limitadas, testando a durabilidade dos acessórios em blocos de rua. Em 2026, a marca registrou 144 vendas via e-commerce para 12 estados e cerca de 30 cidades, com um ticket médio de R$ 240.
Carnaval em Família e Colaboração Local
No Food Park Villa Urbana, localizado no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga, o proprietário Gabriel Vieira aposta em uma visão de Carnaval que vai além da folia tradicional. “É também um momento para aproveitar em família e criar memórias. Quando criamos um ambiente seguro, acolhedor e com programação pensada para todas as idades, o público vem”, afirma.
O planejamento do Villa Urbana envolve a união de seus dez lojistas, que investem em programação especial. Gabriel conclui: “Quando os empreendedores se organizam, criam experiências atrativas e trabalham de forma colaborativa, o resultado aparece não só no aumento do fluxo de clientes, mas também no fortalecimento das empresas.”
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o Norte de Minas não tenha a mesma tradição carnavalesca de outras regiões, o exemplo de sucesso do Vale do Aço durante a festividade demonstra o potencial de eventos sazonais para impulsionar a economia local. Em Montes Claros e cidades vizinhas, feriados prolongados e celebrações culturais podem ser igualmente explorados por pequenos negócios.
As estratégias de planejamento antecipado, personalização de produtos e serviços, e a colaboração entre empreendedores, destacadas pelo Sebrae Minas, são aplicáveis a diversos contextos. O apoio a micro e pequenos empreendedores na região Norte de Minas, incentivando a criatividade e o marketing sazonal, pode gerar um aquecimento econômico similar durante as festividades locais, fortalecendo o comércio e gerando novas oportunidades de consumo.