A professora Luísa Lina Villa, renomada pesquisadora brasileira na área de Papilomavírus Humano (HPV), foi recentemente homenageada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A premiação reconhece sua trajetória e as contribuições significativas que impactaram diretamente a saúde pública, especialmente na prevenção do câncer de colo de útero e outras doenças relacionadas ao vírus.
A Trajetória de uma Cientista Visionária
Desde a infância, Luísa Villa demonstrou uma curiosidade aguçada pelo mundo microscópico. Essa paixão a levou a uma carreira acadêmica e científica, transformando-a em uma referência internacional em pesquisas sobre o HPV, um vírus associado ao câncer do colo do útero e à infecção sexualmente transmissível mais comum globalmente.
“Desde muito jovem, eu tinha vontade de fazer pesquisa. Eu me interessava muito por micróbios, queria aprender mais sobre vírus”, afirmou a professora. Seus estudos focados em HPV começaram no início dos anos 80, após seu doutorado.
Essa dedicação estabeleceu uma linha de pesquisa robusta, tanto no Instituto Ludwig de pesquisas sobre o câncer, onde atuou por quase três décadas, quanto em instituições subsequentes, como a Faculdade de Medicina da USP. Nesses locais, ela pôde aprofundar o conhecimento sobre esses pequenos vírus que podem causar desde verrugas benignas até cânceres malignos em diversas partes do corpo.
Impacto na Vacinação e Prevenção do Câncer
As pesquisas da professora Villa foram cruciais para a comprovação da eficácia da vacina contra o HPV. “Um dos principais aspectos do meu trabalho que foram considerados para que eu alcançasse esse prêmio foram os estudos com o HPV e a participação nas pesquisas que demonstraram a segurança, a imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o vírus”, lembrou.
Seu grupo foi pioneiro ao descobrir que as infecções persistentes por HPV são as que determinam a maior probabilidade de desenvolvimento de tumores malignos, especialmente no colo do útero. Além disso, seus estudos se estenderam ao comportamento do vírus em homens, revelando que as taxas de HPV são ainda mais elevadas neles, com riscos de transmissão e desenvolvimento de lesões no pênis, canal anal e orofaringe.
Vacinação Contra HPV no SUS e Seus Benefícios
O trabalho da professora contribuiu para a compreensão de como prevenir as infecções por HPV, destacando a importância de práticas sexuais seguras e, principalmente, do uso de vacinas profiláticas. No Brasil, a vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, meninos e meninas. O programa também contempla mulheres e homens vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos, na faixa etária de 9 a 45 anos.
“Essas vacinas, já aprovadas desde 2006 nos Estados Unidos e administradas em meninas a partir de 2014 no Brasil, vêm ampliando sua cobertura globalmente”, explicou Luísa Villa. Conforme apurado, a medida tem levado a uma redução significativa de infecções e doenças por HPV, incluindo o câncer de colo de útero, um impacto já observado em diversos países e que começa a se manifestar no Brasil.
Reflexos para o Norte de Minas
A relevância das pesquisas da professora Luísa Lina Villa e a disponibilidade da vacina contra o HPV pelo SUS têm um impacto direto e positivo na saúde pública do Norte de Minas. A região, com suas particularidades e desafios de acesso à saúde, beneficia-se diretamente da política nacional de vacinação. A cobertura vacinal, essencial para proteger crianças e adolescentes, é um pilar fundamental na redução da incidência de câncer de colo de útero e outras doenças relacionadas ao HPV entre a população local. A conscientização e a adesão às campanhas de vacinação são cruciais para garantir que os avanços científicos se traduzam em proteção efetiva para os moradores de Montes Claros e demais municípios do Norte de Minas, reforçando o compromisso do SUS com a prevenção e o bem-estar regional.
Outras Homenagens da SBPC
Além da professora Luísa Lina Villa, a 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher da SBPC também reconheceu outras cientistas. A professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, foi premiada na categoria Humanidades, enquanto Iris Concepcion Linares de Torriani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi agraciada na área de Exatas e Ciências da Terra. As menções honrosas foram concedidas a Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP – Humanidades), Marilia Oliveira Fonseca Goulart (UFAL – Exatas) e Nísia Verônica Trindade Lima (Fiocruz – Ciências Biológicas e da Saúde), destacando a diversidade e a excelência da pesquisa feminina no Brasil.