A vacinação contra a dengue para profissionais de saúde assistenciais e de prevenção teve início em todo o Brasil, contemplando um público-alvo de aproximadamente 1,2 milhão de trabalhadores. A iniciativa marca um passo importante na estratégia do Ministério da Saúde para o controle da doença, priorizando aqueles que estão na linha de frente do combate e do atendimento aos pacientes.
Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, equipes multiprofissionais, agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE) estão entre os primeiros a receber o imunizante. Trabalhadores administrativos e de apoio em unidades de saúde, como recepcionistas, seguranças, profissionais da limpeza, motoristas de ambulância e cozinheiros, também fazem parte do grupo prioritário.
Paralelamente, o Ministério da Saúde está conduzindo um estudo em três municípios-piloto — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) — desde janeiro. Nessas localidades, a vacinação em curso visa avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue, com foco em adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.
A ampliação da vacinação para a população em geral depende do aumento na produção de doses. Essa expansão será viabilizada por uma parceria estratégica entre o Brasil e a China. O acordo envolve a transferência da tecnologia nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan, para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Essa cooperação tem o potencial de aumentar a produção da vacina nacional em até 30 vezes.
A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan demonstrou uma eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em indivíduos de 12 a 59 anos. Além disso, apresentou 89% de proteção contra as formas graves da doença e aquelas com sinais de alarme, segundo estudos.
O cenário epidemiológico de 2025 apresentou uma queda significativa nos casos de dengue no Brasil. Foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis, uma redução de 74% em comparação aos 6,5 milhões de 2024. O número de óbitos também diminuiu drasticamente, com 1,7 mil mortes em 2025, representando uma queda de 72% em relação às 6,3 mil mortes registradas no ano anterior. Apesar da melhora, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de manter as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti em todo o território nacional.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a vacinação inicial se concentre em profissionais de saúde em nível nacional, o avanço na produção e a posterior disponibilidade da vacina para a população em geral representam uma esperança para o controle da dengue em regiões como o Norte de Minas. A região tem sido historicamente afetada pela doença, e a imunização em larga escala pode significar uma redução expressiva nos casos e na sobrecarga do sistema de saúde local, permitindo que unidades de saúde como as de Montes Claros e outras cidades mineiras foquem em outras necessidades médicas da população.