Carnaval Carioca 2026: Escolas ‘Jovens’ Desafiam Medalhões na Disputa Pelo Título da Série Ouro
União de Maricá e Botafogo Samba Clube buscam vaga no Grupo Especial, trazendo enredos inovadores e carnavalescos renomados para a Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro.
O Carnaval da Série Ouro do Rio de Janeiro, agendado para 13 e 14 de fevereiro de 2026, promete uma disputa acirrada. Escolas de samba consideradas ‘jovens’ buscam o título e a tão cobiçada vaga no Grupo Especial de 2027, enfrentando medalhões tradicionais como Império Serrano e Estácio de Sá.
Entre as novatas que prometem agitar a Marquês de Sapucaí estão a União de Maricá e o Botafogo Samba Clube, ambas com projetos ambiciosos e enredos que buscam contar histórias de relevância cultural e social.
União de Maricá: Identidade e Transgressão na Sapucaí
Fundada em 2015, a União de Maricá desfilará pela terceira vez na Série Ouro em 2026. A escola aposta na experiência do carnavalesco Leandro Vieira, que já conquistou títulos no Grupo Especial com a Mangueira (2016 e 2019) e Imperatriz Leopoldinense (2020), além de ter sido campeão da Série Ouro com a Império Serrano em 2022.
O enredo escolhido para este ano é “Berenguendéns e Balangandãs”, uma ideia antiga de Vieira que busca narrar “um pouco a história que a história não conta”. Os balangandãs, artigos da joalheria negra produzidos no Brasil, transcendem o papel de mero ornamento, conforme explicou Leandro. Eles representam uma história de identidade, rebeldia e transgressão protagonizada por mulheres pretas que, ao acumular essas joias, construíam uma forma de poupança e acesso à liberdade.
“Possibilitaram que tivessem um acesso a uma liberdade construída por elas mesmas, e não uma concedida, como reproduz a maior parte do imaginário sobre a liberdade negra no Brasil”, pontuou o carnavalesco. Para Vieira, o enredo da Maricá possui um caráter pedagógico, celebrando a luta e a transgressão como motivos de orgulho para a comunidade. Ele ressaltou ainda a crescente importância do território e da participação comunitária na construção da identidade da escola.

Botafogo Samba Clube: A Estrela Solitária Homenageia Burle Marx
Criada em 2018, a Botafogo Samba Clube fez sua estreia na Série D no ano seguinte e alcançou a Série Ouro em 2025. A escola se destaca por ser a primeira ligada a um time de futebol a desfilar na Marquês de Sapucaí, ostentando a Estrela Solitária, símbolo do clube, em seu pavilhão.
O enredo para 2026, “O Brasil que floresce em arte”, é uma homenagem ao mestre do paisagismo Roberto Burle Marx, desenvolvido pelos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel. Raphael Torres informou que a escolha do tema buscou liberdade criativa, desvinculando-se de personagens ou temáticas diretamente ligadas ao time de futebol.

O desfile da Botafogo explorará as pinturas abstratas de Burle Marx que inspiraram seus jardins modernistas, abandonando os moldes europeus em favor das plantas nativas brasileiras. O segundo setor abordará a invenção do paisagismo moderno, com destaque para o icônico calçadão de Copacabana. As expedições do paisagista pelos biomas do Brasil e seu amor pela flora serão retratados no terceiro setor, culminando na alegoria “O Brasil descoberto pelo olhar do artista”. Para o encerramento, uma alegoria caracterizará o Sítio de Burle Marx, hoje patrimônio mundial da humanidade, celebrando seu legado vivo.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o espetáculo da Série Ouro ocorra no Rio de Janeiro, a paixão pelo carnaval e a riqueza cultural dos enredos cariocas ressoam por todo o Brasil, incluindo o Norte de Minas. A valorização da identidade, da história negra e da arte brasileira, temas centrais nos desfiles da União de Maricá e Botafogo Samba Clube, servem como inspiração para os blocos e escolas de samba da região. O compromisso com a comunidade e a busca por narrativas autênticas, como demonstrado pelas escolas cariocas, podem fortalecer a identidade e a produção cultural local, incentivando a participação e o orgulho das tradições carnavalescas de Montes Claros e cidades vizinhas.