A “Estratégia do Coelho”: Como Candidatos Improváveis Podem Dominar a Corrida Presidencial de 2026

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A política brasileira pode estar assistindo a uma reedição de táticas já conhecidas no universo esportivo. Assim como corredores de longa distância utilizam um “coelho” para ditar o ritmo inicial e desgastar os adversários, a estratégia eleitoral de mesmo nome visa lançar um nome como pré-candidato com o objetivo de absorver críticas e ataques da oposição. Enquanto isso, o verdadeiro postulante é preparado para o momento decisivo, encontrando um cenário menos hostil no sprint final.

Essa abordagem, denominada “estratégia do coelho” aplicada a projetos eleitorais, consiste em introduzir um nome de forma antecipada e calculada. O propósito é atrair o foco das resistências e dos embates políticos, permitindo que o pré-candidato “coelho” concentre o desgaste. Dessa forma, o candidato principal, quando lançado oficialmente, encontra um terreno com menor rejeição e maior potencial de penetração no eleitorado estratégico.

O Caso Bolsonaro: De Jair a Flávio

Um exemplo recente que ilustra essa tática é a movimentação política em torno da família Bolsonaro. Por anos, o foco da oposição e da mídia esteve concentrado em Jair Messias Bolsonaro, visto como o candidato natural da direita e figura que desafiava o sistema político estabelecido. Sua artilharia pesada era direcionada exclusivamente a ele.

Há cerca de um ano, Eduardo Bolsonaro emergiu como um potencial “coelho”. Com histórico de ser o deputado federal mais votado da história do Brasil, fluência em idiomas e boa postura institucional, ele passou a atrair atenção e críticas intensas da esquerda e de setores da mídia, sendo testado em pesquisas como possível sucessor do pai.

No entanto, em dezembro de 2023, o nome de Flávio Bolsonaro começou a ganhar força. Inicialmente, ele não era percebido como um forte candidato nacional, muitas vezes associado à figura do pai e criticado por setores mais ideológicos da direita por dialogar com diferentes atores políticos. Essa característica, que o afastava do estereótipo de candidato radical, não lhe conferia, na visão de muitos, viabilidade para a Presidência.

Agora, com a saída de Jair e Eduardo do centro das atenções de ataques, Flávio surge como um nome competitivo em pesquisas. Essa ascensão, segundo analistas, não seria mera coincidência, mas sim o resultado de uma estratégia calculada para que ele herde o capital político do pai e dispute a reta final da corrida presidencial com menor resistência.

A “estratégia do coelho” demonstra a sofisticação de planos políticos que buscam antecipar cenários e otimizar o desempenho de candidaturas, utilizando o desgaste controlado de figuras específicas para pavimentar o caminho de seus principais concorrentes.

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