A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou os dados iniciais de 2026 para o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apontando um cenário desafiador para o varejo brasileiro. A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, indicativo de um ambiente monetário restritivo, tem impactado diretamente a percepção dos comerciantes sobre a economia.
### Queda Anual na Confiança
Em janeiro de 2026, a confiança dos empresários do setor de comércio registrou uma queda de 6,1% na comparação anual. O principal fator para esse recuo foi o indicador das condições econômicas, que apresentou retração de 8,1%. Segundo a CNC, o elevado patamar dos juros encarece o acesso ao crédito e, consequentemente, desestimula o consumo de bens de maior valor, como eletrodomésticos e veículos.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, destacou a necessidade de um esforço para a redução das taxas de juros. “Precisamos fazer um esforço para ter taxas de juros menores, devolvendo poder de compra ao trabalhador, e assim avançarmos em 2026”, afirmou Tadros, ressaltando que o ciclo de endividamento e inadimplência afeta tanto as famílias quanto o planejamento empresarial.
### Impacto Setorial e Expectativas Futuras
O segmento de bens duráveis foi o mais afetado, com uma queda de 7,6% na confiança. Contudo, o relatório da CNC projeta uma expectativa de redução da Selic a partir do segundo trimestre de 2026. Essa perspectiva sustenta um otimismo moderado em relação às intenções de investimento, apesar de ainda apresentarem números negativos na comparação anual.
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, explicou a dependência do setor de bens duráveis e semiduráveis em relação às condições de crédito. “Para que a população tenha poder de compra de bens duráveis e semiduráveis, ela precisa de acesso saudável ao crédito para desfrutar do parcelamento. Nestes setores do comércio, mesmo com a recente queda do dólar, dependemos de uma taxa Selic mais amena e de juros menos agressivos”, disse Bentes.
### Sinais de Recuperação Gradual
Apesar do cenário desafiador, o comércio tem demonstrado sinais de recuperação no curto prazo. Com ajuste sazonal, o Icec avançou 0,9% em janeiro em relação a dezembro de 2025, atingindo 103 pontos. Este é o maior nível registrado desde julho de 2025 e marca a terceira alta consecutiva do índice.
Outros indicadores reforçam essa tendência de melhora gradual: a intenção de contratação subiu 1,8%, o consumo das famílias avançou 0,8% e a gestão de estoques apresentou crescimento anual de 0,2%, indicando um maior planejamento por parte dos varejistas. Esses dados sugerem um movimento de reequilíbrio no setor, ainda que sob a influência das altas taxas de juros.