Juros altos do Banco Central sufocam economia brasileira; confira impacto e projeções

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O Brasil figura entre os países com as taxas básicas de juros mais elevadas do planeta. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15% ao ano. Essa decisão, embora justificada pela necessidade de convergência da inflação para as metas, tem gerado preocupações sobre o impacto na atividade econômica e no bolso dos brasileiros.

Os dados recentes do mercado de trabalho pintam um cenário desafiador. Em dezembro, mais de 600 mil empregos formais foram perdidos, um reflexo de desaceleração que já vinha sendo sinalizado pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Este indicador, que mede a saúde da economia, recuou para o menor patamar de crescimento interanual desde fevereiro de 2022. O setor industrial, em particular, já registra deterioração, com o IBC-Br do setor em queda desde setembro.

A taxa Selic a 15% coloca o Brasil atrás apenas de Turquia, Argentina e Rússia em termos nominais. No entanto, quando se desconta a inflação acumulada nos últimos doze meses, a taxa real de juros brasileira se aproxima de 10,3% ao ano, demonstrando o peso do custo do dinheiro para investimentos e crédito.

A justificativa do Copom para manter a política monetária contracionista é a busca pela estabilidade de preços e o pleno emprego. Contudo, críticos argumentam que a manutenção de juros tão altos pode, na prática, sufocar ainda mais a atividade econômica, dificultando a geração de novas vagas e o crescimento sustentável.

Enquanto investidores encontram um ambiente favorável, com aplicações conservadoras e o mercado de ações em alta, a classe média sente o aperto. O endividamento da população atinge níveis recordes, em um cenário onde o crédito se torna mais caro e de difícil acesso. Raphael Cordeiro, diretor de Investimentos da Zelen Family Office, reforça a dificuldade que a indústria enfrenta em um cenário de juros persistentemente elevados.

Reflexos para o Norte de Minas

A política monetária restritiva do Banco Central, com juros elevados, pode ter repercussões diretas na economia do Norte de Minas. Empresas da região, especialmente as de pequeno e médio porte, que frequentemente dependem de crédito para expansão e capital de giro, podem enfrentar custos mais altos para financiamento. Isso pode desacelerar investimentos, impactar a criação de empregos e dificultar o desenvolvimento local. A classe média de Montes Claros e cidades vizinhas também sente o peso do endividamento em um ambiente de crédito mais caro, o que pode reduzir o consumo e a capacidade de investimento pessoal.

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