O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apresentou em fevereiro de 2026 um panorama detalhado das perspectivas para o agronegócio brasileiro ao longo do ano. As análises, divulgadas em suas agromensais de janeiro, traçam um cenário de otimismo para alguns setores, enquanto outros demandam cautela.
Boi: Demanda em Expansão e Preços em Ascensão
Para a carne bovina, o Cepea estima a continuidade do aquecimento tanto do mercado interno quanto das exportações. Apesar de o aumento da produção nacional ser considerado um desafio, não se descarta uma expansão moderada. A expectativa é de boa sustentação nos preços dos animais e da carne, com projeção de tendência de alta.
Frango: Crescimento Sustentado, com Atenção à Sanidade
A indústria avícola de corte deve seguir sua trajetória de crescimento em 2026, impulsionada pelas exportações e por uma oferta ajustada às demandas, o que favorece as margens dos produtores. Contudo, o Cepea ressalta que a manutenção deste cenário positivo depende da ausência de novos surtos de Influenza Aviária.
Café: Volatilidade e Pressão nos Preços
O início de 2026 foi marcado por significativa volatilidade nas cotações do café, tanto no Brasil quanto no mercado internacional. Estoques reduzidos e menor disponibilidade global sustentaram preços elevados. No entanto, a perspectiva de boas safras nos anos de 2026 e 2027 já exerce pressão sobre as cotações.
Soja: Brasil Rumo a Recorde e Protagonismo Global
A produção brasileira de soja tem projeção de alcançar um novo recorde em 2026. Paralelamente, a oferta global deve diminuir, especialmente devido à menor produção nos Estados Unidos e na Argentina. Esse contexto tende a consolidar o protagonismo brasileiro no comércio internacional, com o país podendo suprir até 60% da demanda mundial de soja.
Trigo: Baixa Atratividade e Dependência de Importações
A cultura do trigo apresenta baixa atratividade para os produtores brasileiros, reflexo das expressivas quedas de preços em 2025. O Cepea não antecipa avanços significativos na produção de trigo no primeiro semestre de 2026, o que deve manter a dependência de importações para o abastecimento interno. As exportações, por sua vez, continuarão importantes, absorvendo entre 25% e 30% da produção nacional e ajudando a mitigar a pressão de baixa nos preços domésticos.
As análises são do Cepea.