A segurança da Groenlândia tornou-se um ponto focal nas discussões estratégicas globais, especialmente diante do crescente interesse da China e da Rússia no Ártico. A possibilidade de uma aquisição da ilha pelos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a necessidade de fortalecer a defesa da região, considerada um pilar fundamental para a segurança da OTAN.
A China demonstra um interesse estratégico em estabelecer uma presença econômica no Ártico, com projeções de longo prazo para operações militares. Isso inclui capacidades em “guerra espacial e por satélite”, além do posicionamento de submarinos nucleares. Paralelamente, a Rússia tem intensificado suas atividades aéreas e marítimas na região, podendo estender suas ações na chamada “zona cinzenta” para dificultar as operações da OTAN.
A vulnerabilidade dos Estados Unidos a ataques, especialmente a partir do Ártico, é uma preocupação crescente. Um general aposentado da Força Aérea destacou que este corredor representa a rota mais direta para ataques da Rússia e da China contra o território americano.
Presença Militar Conjunta e Treinamento no Ártico
Para mitigar essas ameaças, os Estados Unidos e a Dinamarca são incentivados a ampliar sua presença militar conjunta na Groenlândia. O objetivo é aprimorar o monitoramento de atividades aéreas e marítimas. A proposta inclui o posicionamento de forças terrestres especializadas em combate ártico em pontos estratégicos ao longo da costa norte da ilha.
A Groenlândia também é vista como um local ideal para a realização de operações de treinamento da OTAN no Ártico. Tais exercícios não apenas beneficiariam as forças militares envolvidas, mas também ajudariam a consolidar uma presença militar permanente na região.
Fortalecimento da Frota e Infraestrutura Naval
A cooperação com outros aliados da OTAN, como Finlândia e Canadá, é crucial. Sugere-se o posicionamento de quebra-gelos ao longo dos assentamentos mais ao norte, como Qaanaaq e Ittoqqortoormiit. Essa medida permitiria que navios aliados operassem no Ártico durante todo o ano, viabilizando operações de combate eficazes, inclusive durante o inverno, e reforçando as reivindicações de soberania. A Rússia já possui a maior frota de quebra-gelos do mundo, o que lhe confere mobilidade estratégica no Ártico.
Tecnologia e Defesa Antimísseis
Os Estados Unidos deveriam considerar a rotação de unidades do Exército capazes de disparos de médio e longo alcance para a Groenlândia. Isso fortaleceria a capacidade de resposta contra ameaças aéreas e marítimas que transitam pela região.
Um dos pontos mais críticos é a instalação de sensores e radares avançados para a arquitetura de defesa antimísseis “Domo Dourado”. A Base Espacial Pituffik, a mais ao norte do Pentágono, já abriga sistemas de monitoramento espacial, aéreo e de mísseis. A ampliação dessas capacidades com um Radar de Discriminação de Longo Alcance (LRDR) na Groenlândia seria fundamental. A presença de um segundo LRDR, além do existente no Alasca, aumentaria a eficácia e a redundância do sistema de defesa antimísseis americano.
Segurança Unificada na OTAN
Em conjunto, Dinamarca, Estados Unidos e outros aliados europeus podem assegurar a proteção do Ártico contra a influência russa e chinesa. Isso fortaleceria a capacidade da OTAN em identificar e discriminar ameaças aéreas, de mísseis e marítimas.
Propostas concretas de cooperação entre Dinamarca e Estados Unidos para reforçar a segurança da Groenlândia poderiam atender às preocupações de segurança de ambas as nações, ao mesmo tempo em que mitigam as ameaças russas e chinesas à América do Norte, Europa e ao próprio Ártico.
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Reflexos para o Norte de Minas
Embora a Groenlândia esteja geograficamente distante, as dinâmicas de segurança no Ártico podem ter implicações indiretas para o Norte de Minas. O fortalecimento das alianças e das capacidades de defesa em regiões estratégicas globais pode influenciar a alocação de recursos e a atenção internacional a diversas áreas, incluindo a segurança regional e o desenvolvimento econômico. A maior estabilidade em corredores estratégicos pode, a longo prazo, favorecer um ambiente propício para investimentos e cooperação internacional que também beneficiem regiões como o Norte de Minas.