A capital ucraniana, Kiev, foi alvo de um novo ataque com mísseis na manhã deste domingo, poucas horas antes de se completarem quatro anos do início da invasão em larga escala pela Rússia. O ataque ocorreu em meio a temperaturas gélidas, com os termômetros marcando quase -10°C na cidade. As defesas aéreas ucranianas atuaram, mas destroços de projéteis atingidos causaram ferimentos em uma mulher e uma criança nos arredores da capital, conforme informado pelo prefeito Vitali Klitschko. Cinco cidades na região metropolitana de Kiev também foram afetadas.
As autoridades de outras regiões ucranianas também relataram bombardeios. Em Dnipro, no centro-leste do país, duas pessoas ficaram feridas. Já em Odessa, no sul, infraestruturas foram atingidas por drones. A Força Aérea da Ucrânia declarou alerta geral em todo o país durante a noite, devido à ameaça de mísseis. Em resposta à escalada, o Exército polonês mobilizou aeronaves para proteger seu espaço aéreo, uma medida recorrente em face de ataques russos que representam risco a regiões fronteiriças.
Ataques e Consequências
A Rússia, que atualmente controla aproximadamente 20% do território ucraniano, tem intensificado seus bombardeios diários contra áreas civis e infraestruturas. Essa estratégia militar tem sido apontada como a causa da pior crise energética enfrentada pela Ucrânia desde o início do conflito em 2022. Em Lviv, cidade próxima à fronteira com a Polônia, explosões em estabelecimentos comerciais no centro da cidade resultaram na morte de uma policial e deixaram outras 15 pessoas feridas durante a noite, antes que os alertas de ataque aéreo fossem acionados.
O prefeito de Lviv, Andrii Sadovi, classificou os eventos como um “ato terrorista” em um vídeo divulgado nas redes sociais, sem, contudo, apontar diretamente os responsáveis. Desde o início da invasão russa, militares e autoridades ucranianas têm sido alvos de explosões frequentes, mesmo em locais distantes da linha de frente de combate.
Perspectivas da Guerra e Contra-ataques
A invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, configurou o conflito mais sangrento e destrutivo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Em entrevista à agência AFP na sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, expressou uma visão cautelosa sobre o andamento da guerra. “Não se pode dizer que estamos perdendo a guerra, honestamente, certamente não estamos. A questão é se vamos vencê-la”, declarou, apesar do avanço lento das tropas russas na região de Donbass.
Zelensky também mencionou que as forças ucranianas conseguiram recuperar cerca de 300 quilômetros quadrados em contra-ataques em andamento no sul do país. Embora a AFP não tenha conseguido verificar independentemente esses números, eles poderiam representar os avanços ucranianos mais significativos em um curto período desde 2023. Segundo o presidente, o Exército ucraniano aproveitou uma interrupção temporária no uso da tecnologia Starlink pelas forças russas no início de fevereiro para realizar essas ofensivas.
Diplomacia e Apoio Internacional
Na esfera diplomática, diversas rodadas de negociações entre representantes de Kiev, Moscou e Washington foram realizadas desde o início do ano, porém, sem resultados concretos até o momento. Na próxima terça-feira, quando o conflito entra em seu quinto ano, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, copresidirão uma reunião virtual da Coalizão de Voluntários em Apoio à Ucrânia, demonstrando a contínua mobilização internacional.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a notícia se concentre nos eventos na Ucrânia, o conflito global tem implicações que podem reverberar em diversas economias. A volatilidade nos mercados de energia e commodities, decorrente da guerra, pode influenciar os custos de produção e o preço de produtos essenciais para os moradores do Norte de Minas. A instabilidade geopolítica também afeta cadeias de suprimentos, podendo gerar impactos em setores como o agronegócio e a indústria local, que dependem de insumos e do comércio internacional.