Duas educadoras do Vale do Aço, de Ipatinga e Timóteo, conquistaram os primeiros lugares em categorias das Jornadas Estaduais do Prêmio Educador Transformador. A premiação, promovida pelo Sebrae Minas em parceria com o Instituto Significare e a Bett Brasil, reconhece práticas educacionais inovadoras desenvolvidas por professores e gestores em todo o país. Os projetos vencedores desta etapa estadual garantem vaga na fase nacional, que ocorrerá entre fevereiro e abril.
Desde 2018, a educação empreendedora vem ganhando força nas redes municipais de ensino do Vale do Aço, impulsionada pela implantação do Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE) nas escolas. Gabriele Deboni, analista do Sebrae Minas, destaca que a metodologia do programa incentiva professores a exercer liderança e motivar alunos a identificar desafios e propor soluções de impacto social em suas comunidades.
“O Prêmio Educador Transformador evidencia o potencial transformador da educação empreendedora em nossa sociedade. Mais do que criar projetos, estamos formando educadores capazes de mudar realidades”, afirmou Deboni.
Inovação Pedagógica e Impacto Social em Timóteo
Hellen Cristina Luzia Leoncio de Souza Nascimento, professora há onze anos na Escola Municipal Novo Tempo, no bairro Novo Tempo, periferia de Timóteo, foi reconhecida com a primeira colocação estadual na categoria Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas. Muitos de seus alunos vivem em situação de vulnerabilidade social, realidade que dialoga com sua própria história de superação através da educação.
Com a implantação do PNEE, Hellen ajudou a desenvolver um projeto que estimulou o protagonismo dos alunos do 7º e 8º anos. A iniciativa levou os estudantes a mapear o comércio local e criar o aplicativo “Novo Tempo”, ferramenta que contribui para fortalecer a economia da comunidade. “Esse reconhecimento é muito gratificante. Para mim, a educação é um ato de amor e por meio dela é possível, sim, transformar vidas”, declarou Hellen Cristina.
Inclusão e Sustentabilidade em Ipatinga
Com mais de duas décadas dedicadas à educação pública de Ipatinga, Paula Cristina Alves Franco conquistou o primeiro lugar estadual na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação do Prêmio Educador Transformador. Integrante do Centro de Atendimento Multidisciplinar Hebert de Souza (CENAM), a professora criou, a partir do PNEE, o projeto REMA.
O REMA é voltado a alunos do 3º e 4º ano com traços de TDAH e outros transtornos, utilizando materiais simples e estratégias como o uso de lanterna para estimular foco e atenção. “Não adianta planejar uma aula de 50 minutos sem metodologias diferenciadas que realmente mantenham o foco”, destacou Paula Cristina, ressaltando que a iniciativa nasceu de sua vivência na Educação Especial e da preocupação com as fragilidades das crianças.
O Prêmio em Minas Gerais e suas Novidades
Nesta edição, o Prêmio Educador Transformador registrou 5.560 inscrições, com 1.300 projetos concorrendo em três categorias: Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas, Gestão Educacional Transformadora e Inclusão e Sustentabilidade na Educação. Os vencedores mineiros serão premiados em 3 de março, em evento realizado na sede do Sebrae Minas, em Belo Horizonte.
Entre as novidades da terceira edição do prêmio está a ampliação do público-alvo, que passa a contemplar gestores escolares, gestores de rede e professores, além da possibilidade de inscrição de projetos coletivos. Os vencedores do primeiro lugar estadual garantem participação, todas as despesas pagas, na missão Bett Brasil 2026. Já na etapa nacional, os vencedores concorrem a uma missão internacional para a Bett UK, em janeiro de 2027, um MBA em Educação Empreendedora, entre outros prêmios.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora os projetos vencedores desta etapa sejam do Vale do Aço, o Sebrae Minas atua ativamente em todo o estado, incluindo o Norte de Minas. As conquistas de Hellen Cristina e Paula Cristina servem de inspiração para educadores de cidades como Montes Claros, Janaúba e Pirapora, que também buscam implementar ou fortalecer programas de educação empreendedora em suas escolas. A metodologia do PNEE, que fomenta o protagonismo estudantil e a identificação de soluções comunitárias, pode ser replicada e adaptada às realidades locais, impulsionando a transformação social e econômica da região através da educação de qualidade.