Racismo no Futebol: O Grito de Capitão do Flamengo Contra a Argentina Há 106 Anos

PUBLICIDADE

A luta contra o racismo no futebol é uma batalha antiga e que, infelizmente, se mostra ainda necessária. Uma coincidência simbólica e carregada de ironia marca o início de uma resistência organizada contra essa prática odiosa: o primeiro grande protesto organizado partiu de um capitão brasileiro, atuando pelo Flamengo, e teve como palco um amistoso contra a Argentina.

Um Amistoso Marcado Pelo Preconceito

O ano era 1920. A seleção brasileira retornava do Campeonato Sul-Americano, realizado no Chile, e fez uma parada em Buenos Aires para um amistoso contra a Argentina. No entanto, a recepção foi marcada por um ato explícito de racismo. O jornal argentino ‘Crítica’ estampou em sua manchete: ‘Monos en Buenos Aires’ (Macacos em Buenos Aires), acompanhada de uma charge depreciativa que retratava os jogadores brasileiros como primatas vestidos com a camisa da seleção.

A Reação do Capitão Sisson

Diante da ofensa, o capitão da seleção brasileira e jogador do Flamengo, Augusto Maria Sisson, reagiu com veemência. Revolto com a publicação, ele liderou um boicote por parte de alguns jogadores. Relatos indicam que Sisson chegou a confrontar diretamente os responsáveis pelo jornal. Com o apoio de parte da delegação, o amistoso acabou sendo improvisado, com um placar final de 7 a 7, e a seleção brasileira sofreu uma derrota por 3 a 1.

Raízes de uma Luta Secular

Este episódio é amplamente considerado a semente de uma luta secular contra o racismo no esporte. O jornal ‘Crítica’ encerrou suas atividades em 1962. Augusto Sisson, após sua carreira no futebol, formou-se em medicina, nasceu em Niterói (RJ) e faleceu em Porto Alegre (RS) em 1982, aos 87 anos. A história demonstra que o combate ao racismo no futebol é antigo, mas a recorrência de episódios lamentáveis, especialmente na rivalidade com a Argentina, persiste há mais de um século. Um exemplo notório ocorreu em 1996, quando o jornal ‘Olé’ publicou a manchete ‘Que vengan los macacos’ em referência ao Brasil e à Nigéria nas Olimpíadas de Atlanta.

Um Padrão Recorrente, Apesar da Diversidade Argentina

É crucial ressaltar que não se pode generalizar. A Argentina possui diversidade, campanhas antirracistas e condena veementemente atos preconceituosos. Contudo, os episódios racistas no futebol argentino, em especial nas partidas contra o Brasil, formam um padrão preocupante ao longo das décadas. Na época do jornal ‘Crítica’, publicações mais sérias como ‘La Nación’, ‘La Prensa’ e ‘La Razón’ não adotavam o mesmo tom explícito de preconceito.

A Importância da Memória e da Luta Contínua

A história, portanto, serve como um lembrete contundente de que o combate ao racismo no futebol é uma batalha de longa data e que ainda exige vigilância e ação constantes. A memória de atos como o de 1920 é fundamental para reforçar a necessidade de erradicar o preconceito de vez dos gramados e de toda a sociedade.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora o episódio em questão tenha ocorrido há mais de um século e longe do Norte de Minas Gerais, a luta contra o racismo no esporte ecoa em todo o país. No contexto local, iniciativas de conscientização e combate à discriminação em clubes e escolas de futebol de Montes Claros e outras cidades da região têm ganhado força. A conscientização sobre a importância de repudiar atos racistas, como o protagonizado pelo jornal argentino em 1920, é essencial para formar cidadãos mais tolerantes e para garantir que o esporte seja um espaço de inclusão e respeito para todos, independentemente de sua origem ou cor de pele.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima