Ministério chileno financia festival de pornô e gera polêmica; veja os danos da indústria

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Um escândalo envolvendo o Ministério da Cultura do Chile abalou o país durante o verão. O órgão público destinou 64 milhões de pesos chilenos (aproximadamente R$ 360 mil na cotação atual) para uma produtora realizar um festival de filmes pornográficos na cidade de Valparaíso. A decisão gerou forte repercussão, com parlamentares pedindo a convocação do ministro à Câmara, embora a mudança de governo em breve torne a medida mais simbólica.

A rejeição ao financiamento foi generalizada. Críticos questionam o uso de dinheiro público para uma iniciativa tão distante da esfera cultural, especialmente em um momento delicado para o país. O Chile ainda lida com as consequências dos recentes incêndios florestais que deixaram milhares de desabrigados no sul, e a própria cidade de Valparaíso aguarda soluções habitacionais para famílias afetadas por um devastador incêndio em 2024. O gasto com o festival foi classificado como irresponsável e grotesco.

Erosão psicológica e moral: o debate ético sobre a pornografia

Para além da questão fiscal, o caso reacendeu o debate sobre a qualidade ética da pornografia. Enquanto muitos defendem a liberdade individual de consumo em casa, outros denunciam a indústria como um ataque à dignidade humana, especialmente das mulheres. O colunista Juan Ignacio Brito, em artigo no jornal El Mercurio, criticou a postura do Estado:

“Quando o Estado age dessa forma, deixa de ser neutro e se torna um operador em favor de uma indústria que lucra com a erosão psicológica e moral que causa em seus usuários.”

A expressão “erosão psicológica e moral” resume os argumentos de quem aponta os malefícios da pornografia, seja em festivais financiados ou no consumo individual por adolescentes. Especialistas defendem uma abordagem mais realista, compreendendo os danos infligidos aos atores – frequentemente comparados a escravos – e aos consumidores, muitos dos quais desenvolvem vícios.

A indústria da pornografia como “cena de crime”

Ativistas como a americana Laila Mickelwait, que lidera uma campanha para o fechamento do Pornhub, descrevem a indústria como uma “cena de crime”, e não apenas entretenimento adulto. Mickelwait aponta que a plataforma, entre outras, hospeda e lucra com vídeos de estupro infantil, pornografia de vingança, filmagens com câmeras escondidas, além de conteúdo misógino e racista. Milhares de vítimas são citadas, como o caso de uma menina de 15 anos encontrada em 58 vídeos de sexo no Pornhub.

O trabalho de Mickelwait resultou na remoção de 80% do conteúdo do Pornhub em 2020, por incerteza sobre o consentimento e a maioridade dos participantes. Posteriormente, grandes bandeiras de cartão de crédito suspenderam serviços de pagamento para a plataforma. Seu livro “Take Down: Inside the Fight to Shut Down Pornhub for Child Abuse, Rape and Sex Trafficking” detalha a relação entre tráfico humano e sites de pornografia.

Proteção de menores e responsabilidade familiar

O episódio chileno serve como um alerta para a necessidade de discussões sobre os perigos da indústria pornográfica, inclusive no ambiente familiar. Pais, que se preocupam com a alimentação e saúde dos filhos, muitas vezes descuidam da exposição online. Jovens podem ser facilmente expostos a criminosos em plataformas como TikTok, Roblox e Instagram, em conversas que podem levar a pedidos de fotos íntimas e encontros secretos.

Um relato de um motorista de Uber ilustra o risco: o pai descobriu a filha de 12 anos sendo manipulada por um rapaz via Instagram, com o encontro marcado em sua residência. A intervenção a tempo evitou uma tragédia.

Relatório de 2022 do Senado francês aponta que dois terços das crianças francesas com menos de 15 anos já assistiram à pornografia, e 90% das cenas online contêm violência contra a mulher. Para os pais, a proteção contra os perigos da internet é uma responsabilidade que não pode esperar por deliberações governamentais. Incentivar brincadeiras ao ar livre, conversas francas e atenção ao conteúdo consumido são passos essenciais para uma infância segura e livre de telas.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora a notícia se refira a um evento no Chile, a discussão sobre os danos da indústria pornográfica e a proteção de menores é universal e relevantíssima para o Norte de Minas. A facilidade de acesso ao conteúdo online, inclusive por crianças e adolescentes, exige atenção redobrada dos pais e responsáveis na região. Iniciativas de conscientização sobre os riscos do consumo de pornografia e a importância do diálogo familiar podem mitigar a exposição a conteúdos nocivos e a potenciais predadores online, garantindo um ambiente mais seguro para os jovens de Montes Claros e de todo o Norte de Minas.

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