Embaixador do Irã Acusa EUA de Boicotar Acordo Nuclear e Critica “Rei do Mundo” Trump

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Embaixador do Irã Acusa EUA de Boicotar Acordo Nuclear e Critica “Rei do Mundo” Trump

Abdollah Nekounam defendeu a soberania iraniana em Brasília, citando a “farsa” das negociações e o caso Epstein para questionar a legitimidade americana.

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou que os Estados Unidos (EUA) não possuem interesse genuíno em um acordo nuclear com o país persa. Segundo Nekounam, as negociações seriam uma “farsa” utilizada para buscar uma “mudança de regime” em Teerã. A declaração foi feita em coletiva de imprensa na Embaixada iraniana em Brasília, nesta segunda-feira (2).

Negociações e Acusações contra EUA e Israel

Nekounam detalhou que uma reunião de especialistas nucleares, prevista para Viena e mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi novamente “atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA”. Para o diplomata, Washington e Tel Aviv instrumentalizam o diálogo sobre o programa nuclear iraniano. “A agressão seria fruto de uma ‘visão’ dos EUA que imaginam que são ‘os donos do mundo'”, defendeu o representante iraniano.

Ainda segundo o embaixador, Israel e os EUA usaram as negociações da questão nuclear como “farsa” para poderem promover a “mudança de regime” no Irã. Esta é a segunda vez em oito meses que Israel e os EUA lançam uma agressão contra o Irã em meio a essas negociações.

A Visão de Trump e a Independência Iraniana

O embaixador iraniano não poupou críticas ao ex-presidente estadunidense, Donald Trump, que seria o mentor da atual ofensiva contra Teerã. “O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo”, disse Nekounam, referindo-se a Trump. Ele enfatizou que, enquanto alguns países podem ceder a tais “alegações e imaginações” por interesse, a República Islâmica do Irã busca sua independência há 47 anos.

No primeiro governo Trump, os EUA abandonaram o acordo firmado em 2015, sob a gestão de Barack Obama, para inspeção internacional do programa nuclear iraniano. Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump iniciou nova ofensiva contra Teerã exigindo, além do desmantelamento do programa nuclear, o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos de resistência a Israel como o Hamas e o Hezbollah.

Sucessão de Liderança e Programa Nuclear

Nekounam também destacou a rápida e contínua transição de poder no Irã após o assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei, ocorrido no sábado (28). Um Conselho de Liderança Interino foi nomeado para assumir as funções, garantindo que a “gestão e administração do país está em vigor e em forma plena”, sem descontinuidades na estrutura de poder. A defesa do país, segundo ele, está “contínua, firme e poderosa”.

Analistas consultados pela Agência Brasil indicam que a “troca de regime” almejada pelos EUA visa conter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia de Israel no Oriente Médio. Washington e Tel Aviv justificam os ataques como “preventivos”, alegando que o Irã desenvolve artefatos nucleares, enquanto Teerã insiste que seu programa tem fins pacíficos. Por outro lado, Israel, mesmo acusado de ter bombas atômicas, nunca permitiu qualquer inspeção internacional de seu programa nuclear.

Legitimidade dos EUA e Posição do Brasil

Questionando a moral dos EUA para “administrarem o planeta”, o embaixador iraniano trouxe à tona o caso dos arquivos de Jeffrey Epstein, financista condenado por abuso sexual. “As pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem e não valem administrar a soberania do mundo”, completou Nekounam, citando as relações de Epstein com a elite política norte-americana.

Sobre a postura brasileira, o diplomata agradeceu a condenação do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil ao uso da força por Israel e EUA, classificando-a como “valorosa” e atenta aos “valores do ser humano, de soberania, de integridade territorial e de independência dos governos”. Ele reiterou o direito de Teerã de atacar bases militares dos inimigos, e não territórios de países vizinhos, sendo os alvos dos ataques iranianos bases dos EUA em nações como Arábia Saudita e Iraque.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora o foco da notícia seja a geopolítica internacional e a crise no Oriente Médio, as tensões globais podem ter impactos indiretos na região do Norte de Minas. A instabilidade em importantes rotas comerciais e nas fontes de energia, por exemplo, pode influenciar os preços de commodities e o custo de importação de insumos essenciais para a indústria e agricultura locais. Acompanhar esses desdobramentos é crucial para entender como cenários internacionais complexos podem reverberar na economia regional e no planejamento estratégico de empresas e gestões públicas em Montes Claros e cidades vizinhas.

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