O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (2) que os recentes ataques de seu país foram direcionados exclusivamente a bases militares, e não a nações vizinhas. Segundo Nekounam, as ações foram uma resposta a ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel, que resultaram na morte de autoridades iranianas.
Nekounam explicou que os alvos foram bases militares americanas localizadas em países como Israel, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Arábia Saudita. “A nossa ação é compreensível e essa compreensão vem de que, quando você está sendo atacado por uma base, não pode só ficar olhando”, afirmou o embaixador, ressaltando que qualquer instalação utilizada contra o Irã sofrerá retaliação.
Situação Geopolítica e Relações Internacionais
O diplomata iraniano descreveu o cenário global como uma “situação geopolítica complexa”, criticando o que chamou de “unilateralismo” buscado por alguns países, incluindo os Estados Unidos. Nekounam apelou para que os vizinhos do Irã pressionem Washington a cessar os ataques contra o país persa.
Ao ser questionado sobre o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo no Oriente Médio, o embaixador indicou que o fechamento dessa passagem estaria relacionado a cenários de guerra. Ele também relembrou as declarações do aiatolá Ali Khamenei, falecido recentemente, que alertava para uma guerra regional em caso de ataque ao Irã.
Agradecimento ao Brasil e Acordo Nuclear
Abdollah Nekounam expressou gratidão pela nota divulgada pelo Itamaraty no fim de semana, na qual o governo brasileiro condenou os ataques de Israel e dos EUA contra o Irã. “Acreditamos e vemos essa ação por parte do governo brasileiro como valorosa, destacando soberania, integridade territorial e independência dos governos”, disse o embaixador a jornalistas.
O embaixador também comentou sobre o acordo nuclear com o Irã, afirmando que o ex-presidente americano Donald Trump “rasgou” o acordo em 2018. Nekounam reiterou que os estudos nucleares do Irã são para fins pacíficos.
Irã Descarta Negociação com os EUA
Em outra frente, Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, negou veementemente qualquer possibilidade de negociação com o governo americano após os recentes ataques. Larijani desmentiu notícias sobre tentativas de contato com Washington e acusou Donald Trump de ter “mergulhado a região no caos”.
Dados oficiais divulgados pela Cruz Vermelha Iraniana indicam que 555 pessoas morreram no Irã em decorrência dos ataques, com 131 cidades afetadas.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a escalada de tensões ocorra no Oriente Médio, a instabilidade na região pode gerar impactos globais na economia, incluindo o preço do petróleo. Para o Norte de Minas, que possui um setor logístico dependente do transporte de combustíveis, o aumento nas cotações internacionais pode se refletir nos custos operacionais e no preço final para o consumidor, afetando o desenvolvimento regional.