Um adolescente indiciado como articulador do estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos em Copacabana, Rio de Janeiro, apresentou-se nesta sexta-feira (6) à 54ª Delegacia de Polícia, em Belford Roxo. A Secretaria de Polícia do Rio de Janeiro (Sepol) confirmou que, com essa prisão, todos os cinco suspeitos do crime foram detidos.
A Vara da Infância e Juventude da Capital do Rio de Janeiro havia expedido um mandado de busca e apreensão contra o jovem na quinta-feira (5). A Justiça reverteu a representação inicial de medida socioeducativa após a polícia apresentar “novos elementos” relacionados a um episódio de violência sexual com dinâmica semelhante. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) justificou a medida como necessária para “garantir a ordem pública, diante da possível reiteração infracional e também para assegurar a segurança pessoal do próprio adolescente, em razão da ampla repercussão social do caso”.
Estupro coletivo em Copacabana
As investigações apontam que, em 31 de janeiro, a vítima foi atraída a um apartamento em Copacabana por um colega de escola, também menor de idade. Ao chegar ao local, a jovem se deparou com quatro homens. Segundo as autoridades, ela foi impedida de sair e forçada a manter relações sexuais, além de ter sido submetida a graves violências física e psicológica.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou e indiciou cinco pessoas pelo crime. João Gabriel e Matteus se entregaram à polícia na terça-feira (3), enquanto Bruno e Vitor apresentaram-se na quarta-feira (4). A tentativa de cumprir os mandados de prisão preventiva no sábado (28) não obteve sucesso, pois os suspeitos não foram localizados.
Instituições de Ensino e Clubes Afastam Envolvidos
A vítima, o adolescente articulador e Vitor Hugo Oliveira Simonin são estudantes do Colégio Pedro II. A instituição informou a abertura de processo administrativo para expulsão dos alunos indiciados e ofereceu acolhimento à vítima e sua família. Bruno, outro suspeito, é estudante da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que o suspendeu preventivamente por 120 dias. João Gabriel, que integrava o Serrano FC, foi imediatamente afastado pelo clube, que suspendeu seu contrato.
Novas Denúncias Ampliam Investigação
Na última terça-feira (3), a Polícia Civil recebeu denúncias de duas outras adolescentes que teriam sido violentadas pelos mesmos suspeitos. Conforme o delegado Ângelo Lages, da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, os casos ocorreram em outubro de 2023 e em outubro de 2025. A vítima de 2023, que tinha 14 anos na época, relatou ter sido atraída pelo mesmo adolescente indiciado a um apartamento no Maracanã, onde estariam também Mattheus Veríssimo Zoel Martins e Gabriel. O delegado descreveu o relato como “exatamente igual ao da vítima atual”.
A vítima de 2025, estudante do Colégio Pedro II, afirmou ter sido estuprada durante uma festa estudantil por Vitor Hugo Oliveira Simonim. O pai de Vitor, José Carlos Costa Simonim, foi exonerado do cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa após a divulgação do caso de Copacabana.
As investigações sobre os novos relatos seguem em andamento, com a possibilidade de os casos serem unificados.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o crime tenha ocorrido no Rio de Janeiro, a repercussão nacional do caso de estupro coletivo em Copacabana reforça a discussão sobre segurança e violência contra mulheres em todo o país. No Norte de Minas, a sociedade civil e as autoridades locais têm intensificado ações de conscientização e prevenção. O debate sobre a efetividade das medidas socioeducativas e a necessidade de políticas públicas mais robustas para combater a violência sexual ganha força, servindo como alerta para a importância de discussões sobre o tema em todas as regiões do Brasil.