Conflito no Oriente Médio eleva custos e causa incertezas nas exportações de minério de ferro do Brasil

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A escalada de conflitos no Oriente Médio começa a reverberar na economia brasileira, com especial atenção dos produtores de minério de ferro. Cerca de dez carregamentos do mineral brasileiro estão atualmente em trânsito para a região, e os desdobramentos da tensão geopolítica geram preocupação quanto aos custos logísticos e prazos de entrega.

O risco mais imediato se manifesta no aumento dos custos de transporte, com prêmios mais altos para seguros marítimos e a possibilidade de prazos de viagem mais longos. Uma eventual elevação nos preços internacionais do petróleo, impulsionada pela instabilidade na região, também pode pressionar os custos de energia e, consequentemente, de toda a cadeia produtiva.

“O cenário internacional exige atenção constante”, alertou Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). “O aumento do risco já afeta os seguros, os fretes e as expectativas de preços… fatores que impactam diretamente a competitividade do setor”.

Impacto no Estreito de Ormuz

Analistas apontam que o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica, teria um impacto direto no mercado de minério de ferro. Embora o Irã represente uma parcela pequena da produção global (cerca de 3%) e do fornecimento marítimo (1,5%), a interrupção do fluxo por essa via pode gerar efeitos em cascata.

Um exemplo concreto dessa preocupação foi o desvio de uma carga de 164.000 toneladas de minério de ferro da operação Minas Rio, da Anglo American, no Brasil. O navio, que partiu do porto de Açu em 29 de janeiro com destino ao Bahrein, teve sua rota alterada no Golfo de Omã. “Pode ficar ancorado ou a Anglo American pode desviá-lo para outro comprador”, comentou Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities.

Essa mudança de rota sugere um fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, em meio à escalada de tensões com o Irã atacando países vizinhos e ameaçando navios comerciais. A Anglo American Brasil tem outras cargas a caminho da região, assim como a Vale, que enviou duas cargas para sua operação de pelotização em Omã. A mineradora Vale informou que está monitorando a situação de perto.

Exportações brasileiras afetadas

Dados da alfândega brasileira revelam que, em janeiro, as mineradoras exportaram 691.666 toneladas de concentrado de minério de ferro para o Bahrein, no valor de US$ 59,3 milhões. Omã recebeu 197.577 toneladas, totalizando US$ 14,3 milhões. No ano passado, os embarques de concentrado para Omã somaram 12,74 milhões de toneladas e para o Bahrein, 9,39 milhões de toneladas. Pelotas de minério de ferro também foram exportadas para os Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

A instabilidade no Oriente Médio, portanto, não é um evento distante para a economia brasileira. O aumento dos custos logísticos, a volatilidade nos preços do petróleo e a incerteza sobre as rotas marítimas podem afetar a competitividade do minério de ferro brasileiro no mercado internacional, exigindo atenção contínua de produtores e autoridades.

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