Violência contra a mulher: Brasil registra 12 vítimas por dia em 2025, aponta estudo

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Em 2025, a cada 24 horas, 12 mulheres foram vítimas de violência em todo o Brasil. O dado alarmante, que soma mais de 4,5 mil vítimas ao longo do ano, representa um aumento de 9% em relação a 2024. As informações são do boletim “Elas Vivem: a urgência da vida”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança, que monitora dados em nove estados brasileiros, incluindo Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Aumento expressivo em violência sexual e feminicídios

O levantamento aponta um crescimento de cerca de 56% nos casos de violência sexual ou estupro, ultrapassando a marca de 950 ocorrências. A maioria das vítimas são crianças e adolescentes. Além disso, o estudo registrou quase 550 casos de feminicídio e sete de transfeminicídio, evidenciando a gravidade e a diversidade das violências sofridas por mulheres no país.

Pará lidera aumento percentual de casos

O estado do Pará se destaca com o maior aumento percentual nas violências, contabilizando 138 mortes de mulheres e um impressionante crescimento de 167% nos casos de abuso sexual. Tayná Boaes, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança, explica que os números oficiais muitas vezes não refletem a totalidade da realidade.

“O nosso monitoramento é sensível e permite nomear essas violências, que muitas vezes não são tipificadas pela polícia. Então, os números oficiais não conseguem dar conta da realidade”, declarou Boaes. Ela acrescenta que a violência contra a mulher persiste nesses territórios, sendo tolerada socialmente e enfrentada de forma insuficiente pelo Estado.

Agressores: círculo íntimo e relações afetivas

A pesquisa revela que os agressores são, em sua maioria, companheiros e ex-companheiros das vítimas. Familiares, namorados e ex-namorados também figuram entre os autores comuns. “Quando os nossos dados demonstram que 78,5% das violências são cometidas por companheiros ou ex-companheiros, nós estamos falando de uma violência muito íntima, uma violência que opera dentro do lar, uma violência que opera nas relações afetivas. Então, isso aponta para uma legitimação de posse”, explicou a pesquisadora.

Como denunciar e buscar ajuda

Para combater essa realidade, Boaes reforça a importância da denúncia. Os canais disponíveis incluem o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190 em casos de emergência. Delegacias especializadas de atendimento à mulher também oferecem suporte. Para violência envolvendo crianças e adolescentes, o contato é pelo Disque 100.

Prevenção estrutural é o caminho

O estudo conclui que a resposta à violência contra a mulher precisa ir além das ações imediatas. É fundamental que estados e o governo federal invistam em campanhas estruturais de prevenção, com foco em educação de base, desconstrução cultural e engajamento social.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora os dados apresentados se refiram a um panorama nacional, a realidade da violência contra a mulher no Brasil reverbera em todas as regiões, incluindo o Norte de Minas Gerais. A falta de dados locais específicos sobre o tema dificulta um diagnóstico preciso para Montes Claros e cidades vizinhas, mas a tendência de aumento nacional acende um alerta sobre a necessidade de fortalecer as redes de apoio e os mecanismos de denúncia na região. A colaboração entre órgãos públicos e a sociedade civil é essencial para garantir a segurança e os direitos das mulheres no Norte de Minas, combatendo a tolerância social à violência e exigindo respostas estatais mais eficazes.

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