Falta de Comida e Insegurança se Tornam Armas Eleitorais na Disputa Presidencial

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A escassez de alimentos na mesa das famílias e o aumento da criminalidade emergem como os principais cabos eleitorais na atual conjuntura política brasileira. Tradicionalmente, a economia figura no topo das preocupações do eleitorado, mas a crescente onda de violência, tráfico e insegurança pública tem elevado a questão da segurança ao mesmo patamar, tornando ambos os fatores determinantes nas decisões de voto.

A máxima de James Carville, “É a economia, estúpido”, cunhada em 1992, mantém sua relevância. A percepção de prosperidade econômica, refletida na capacidade de prover para a família, impacta diretamente a aprovação de um governo. Quando a mesa está farta, a tendência é a aprovação; quando a situação aperta, a crítica ao governante se intensifica. Essa dinâmica é universal e se aplica plenamente ao cenário brasileiro.

Diante desse quadro, o atual governo tem buscado medidas para reverter a tendência de queda em sua aprovação. A isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, por exemplo, é vista como uma estratégia eleitoral. No entanto, os resultados iniciais não parecem animadores. Pesquisa recente do Datafolha aponta um aumento na rejeição ao presidente, com a avaliação de “ruim ou péssimo” subindo de 37% para 40% em poucos meses, enquanto apenas 32% consideram o governo “bom ou ótimo”.

A preocupação governista se acentua ao observar o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Há poucos meses, sua intenção de voto era modesta, mas, após a definição de seu nome como candidato, ele aparece empatado com Lula em um possível segundo turno. Essa ascensão, se confirmada a tendência, gera apreensão, especialmente considerando que o presidente, embora em campanha constante, não tem obtido resultados satisfatórios nos levantamentos.

Inicialmente, o cenário parecia favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro, com projeções de que ele herdaria a rejeição ao pai e sua própria baixa popularidade. O próprio senador chegou a expressar dúvidas sobre a viabilidade de sua candidatura. Contudo, a conjuntura mudou, e agora ele se apresenta como um competidor forte.

Diversos fatores, previsíveis e imponderáveis, influenciam essa equação eleitoral. Dentre os administráveis, destacam-se a criminalidade persistente, os juros elevados sem perspectiva de queda significativa, os gastos públicos que dificultam a estabilização orçamentária e a alta dos preços dos alimentos, mesmo com a divulgação de inflação controlada.

Por outro lado, escândalos políticos, como as investigações envolvendo o filho do presidente e o caso do Banco Master, fogem ao controle governista e podem prejudicar as pretensões de Lula, independentemente de seu envolvimento direto. Para Flávio Bolsonaro, a estratégia parece mais direta: atribuir a culpa pelos problemas do país ao governo em exercício.

A campanha eleitoral promete ser acirrada. O governo Lula, ao que tudo indica, precisará intensificar seus esforços e gastar sola de sapato em uma campanha corpo a corpo. O opositor, por sua vez, enfrentará um bombardeio de acusações, com velhas histórias como as “rachadinhas” e a questão dos imóveis voltando à tona. A estratégia de associar o adversário a escândalos passados, como ocorreu com o caso Marielle Franco e a investigação sobre Queiroz, pode ser repetida para minar a imagem de Flávio Bolsonaro.

A competência oratória de ambos os candidatos será crucial. A capacidade de projetar uma imagem positiva e, simultaneamente, desqualificar o adversário definirá os rumos de uma eleição que se anuncia como uma das mais disputadas da história brasileira.

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