As vendas no comércio alcançaram um patamar recorde em janeiro, impulsionadas por um mercado de trabalho aquecido e pela contínua expansão do crédito para pessoas físicas. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a massa salarial registrou um crescimento de 2,9% em janeiro em comparação com o mês anterior, atingindo o valor histórico de R$ 370,3 bilhões. Este montante representa o total de rendimentos recebidos por todos os trabalhadores, evidenciando a força do consumo.
Paralelamente, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro atingiu 5,4%, o menor índice já registrado. O número de pessoas ocupadas também bateu um recorde para o período, com 102,7 milhões de brasileiros empregados, fortalecendo a confiança e o poder de compra da população.
Crédito em Expansão Apesar dos Juros Elevados
O analista do IBGE destacou a importância do crédito como vetor de estímulo. Em janeiro, a oferta de crédito à pessoa física avançou 1,6% em relação a dezembro. Essa expansão ocorre mesmo com a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. A análise aponta que a taxa de juros elevada não impediu o crescimento do crédito para o consumidor.
Embora os empréstimos para aquisição de veículos tenham apresentado uma queda de 6,2% no período, o principal motor do crédito para o comércio continua sendo o crédito concedido à pessoa física. Essa resiliência do crédito ao consumidor é um fator chave para a sustentação do comércio em altos níveis.
Competição e Digitalização Estimulam Crédito
A professora de economia Gecilda Esteves, do Ibmec-RJ, explica que a expansão do crédito para pessoa física, mesmo com a Selic em alta, é reflexo da forte concorrência entre instituições financeiras e do aumento da bancarização. A proliferação de fintechs, empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros digitais, tem ampliado o acesso a recursos.
“Com o surgimento das fintechs, esse processo de digitalização bancária, a gente tem mais bancos e, portanto, mais capacidade de oferta de recursos”, afirmou Esteves. Ela acrescenta que o Open Finance também contribui ao permitir que as instituições analisem o histórico de crédito dos clientes de forma mais eficaz, o que pode levar a melhores condições e maior acesso.
Contexto Econômico e Impacto Regional
A alta da Selic é uma medida do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para conter a inflação, que em 2025 ficou fora da meta. Juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam investimentos, com o objetivo de esfriar a demanda e controlar os preços. No entanto, o cenário atual demonstra que outros fatores, como o mercado de trabalho e a concorrência financeira, têm superado o efeito restritivo dos juros no setor de comércio.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a notícia trate de dados nacionais, o aquecimento do comércio em patamares recordes pode gerar reflexos positivos para o Norte de Minas Gerais. O aumento da massa salarial e a geração de empregos em nível nacional tendem a impulsionar a demanda por bens e serviços em todas as regiões do país, incluindo Montes Claros e cidades vizinhas. A maior disponibilidade de crédito, mesmo com juros altos, pode facilitar o acesso a bens duráveis e outros produtos, beneficiando o comércio local. As empresas regionais podem observar um aumento nas vendas, especialmente nos setores que mais se beneficiam do consumo das famílias.