No Dia Internacional da Mulher, o Brasil se viu inundado por discursos e homenagens. Contudo, por trás das celebrações, os números revelam uma realidade sombria: mulheres continuam sendo vítimas de violência e do abandono do poder público. A data, que deveria simbolizar conquistas e respeito, torna-se um chamado à reflexão sobre a dignidade, segurança e respeito que deveriam ser garantidos a todas.
A pergunta que ecoa é: o que estamos realmente celebrando quando quatro mulheres são assassinadas diariamente no país? O ano de 2025 marcou o ápice dos feminicídios na história brasileira, com 1.518 mulheres mortas simplesmente por serem mulheres. Essa tragédia silenciosa e persistente coloca o Brasil na quinta posição do ranking mundial de feminicídios.
A Lei Existe, Mas a Prática Falha
Desde que o feminicídio foi tipificado em 2015, mais de 13 mil brasileiras perderam a vida. Cada uma dessas mortes representa uma falha do Estado em proteger seus cidadãos. A lei do feminicídio, uma das mais severas do mundo, prevê penas de até 40 anos de prisão. No entanto, apesar do avanço legislativo, a realidade não acompanhou. O grande gargalo reside na incapacidade do Estado em fazer essas leis funcionarem efetivamente.
Recursos significativos, cerca de R$ 1,4 bilhão, destinados ao combate à violência contra a mulher no orçamento federal, tiveram apenas cerca de 15% de utilização. Esse montante, que poderia fortalecer delegacias especializadas, ampliar medidas de proteção e expandir a rede de acolhimento, permaneceu subutilizado. Em um país que bate recordes de feminicídio, a inércia com verbas públicas se configura como negligência.
Violência Vicária e a Defesa da Prisão Perpétua
A crueldade tem escalado, com a emergência da chamada violência vicária, onde agressores utilizam filhos e familiares como instrumentos de tortura emocional e vingança. Essa prática barbárica está em análise na Câmara Federal para ser incorporada à Lei Maria da Penha, um passo crucial para ampliar a proteção. Diante de tais crimes, defende-se a discussão sobre a prisão perpétua para assassinos de mulheres. A experiência internacional demonstra que penas mais rigorosas podem contribuir para a redução de homicídios, com países como Estados Unidos e Reino Unido apresentando taxas de feminicídio significativamente menores que as do Brasil.
O 8 de março não pode se resumir a discursos vazios e homenagens simbólicas. É preciso que o país confronte a realidade brutal e implemente ações concretas. Mulheres brasileiras clamam por respeito, proteção e políticas públicas que se traduzam em segurança, dignidade e oportunidades reais para todas. A cada feminicídio, um grito expõe a falha estatal e a urgência de avançar.
Rosangela Moro, deputada federal, destaca a necessidade de medidas mais firmes para proteger as mulheres no Brasil.