A Petrobras confirmou nesta quarta-feira (22) que o recente aumento no preço do diesel é uma consequência direta da escalada da guerra no Oriente Médio. Contudo, a estatal destacou que a intervenção do governo federal foi crucial para evitar um impacto ainda mais severo nas bombas, beneficiando diretamente consumidores e o setor de transporte, incluindo o Norte de Minas.
Medidas federais mitigam impacto nas bombas
De acordo com Magda Chambriard, executiva da Petrobras, o cenário internacional imporia um acréscimo de R$ 0,70 por litro no diesel. No entanto, ações rápidas do governo federal, como a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre importação e comercialização, além de uma medida provisória (MP) de subvenção, reduziram esse valor significativamente.
Cálculos do Ministério da Fazenda indicam que a suspensão dos impostos federais representa um alívio de R$ 0,32 por litro. Na prática, a combinação dessas medidas transformou o potencial aumento de R$ 0,70 em um acréscimo “irrisório, praticamente nenhum”, de apenas R$ 0,06, conforme pontuou Chambriard. Para o consumidor final, o impacto dos R$ 0,06 deve ser ainda menor, devido à mistura do diesel com o biodiesel, embora o preço final dependa das decisões dos postos.
Apelo contra abusos e aos estados
A executiva também abordou a questão dos preços da gasolina. Segundo Chambriard, não há justificativa para aumentos abusivos do combustível, já que as entregas estão em dia e não houve reajuste nos valores pela Petrobras. Ela fez um apelo para que não haja especulação no mercado.
“Esperamos que, nesse momento difícil para sociedade brasileira e mundial, que haja sensibilidade suficiente para não buscar aumento de margem de forma especulativa”, defendeu Chambriard. Ela ressaltou que, em períodos de alta volatilidade, agentes econômicos podem aproveitar para aumentar suas margens de lucro, cabendo às instituições de fiscalização e controle tomarem as medidas cabíveis.
A Petrobras, segundo Chambriard, tem atuação limitada na revenda final do combustível. A antiga subsidiária BR Distribuidora foi privatizada e hoje opera como Vibra Energia, detendo a licença para usar a marca BR até 2029 e impedindo a Petrobras de concorrer diretamente nos postos.
Magda Chambriard estendeu seu apelo aos governos estaduais, solicitando que, à semelhança da União, considerem a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. “Cabe também a redução do ICMS. Eu espero que os estados deem sua contribuição para esse enfrentamento”, afirmou.
Reflexos para o Norte de Minas
As variações no preço do diesel têm um impacto direto e significativo na economia do Norte de Minas. A região, com sua forte vocação para o agronegócio e a logística de transporte, depende intensamente do combustível para escoar a produção, abastecer máquinas agrícolas e movimentar o comércio em cidades como Montes Claros, Janaúba e Pirapora.
A contenção do aumento para apenas R$ 0,06, em vez dos R$ 0,70 previstos inicialmente, representa um alívio fundamental para transportadoras, produtores rurais e, consequentemente, para o custo de vida dos moradores. Qualquer elevação significativa no diesel se reflete no preço dos alimentos e produtos que chegam à mesa do consumidor. O apelo da Petrobras aos estados para a redução do ICMS, se atendido em Minas Gerais, poderia trazer um benefício adicional, aliviando ainda mais a carga sobre o setor produtivo e a população da região.