A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil tem gerado debates acalorados, mas para Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o momento é inadequado e a abordagem atual é equivocada.
Cotait Neto, oriundo de uma geração que valoriza o trabalho como dignidade e enobrecimento, expressa orgulho em sua escala de trabalho 7×0, que para ele não representa um fardo, mas sim uma virtude. Ele argumenta que a busca por novas escalas deveria focar em aumentar a produtividade e a eficiência, impulsionadas por avanços tecnológicos e processos, e não em diminuir o tempo de trabalho.
Críticas à politização do debate
O líder empresarial critica veementemente aqueles que, em sua visão, defendem a redução da jornada com propósitos eleitoreiros. Segundo Cotait Neto, a medida, se implementada sem uma análise técnica aprofundada, pode gerar consequências negativas para o setor produtivo, aumentando custos e, consequentemente, o desemprego e a inflação. Ele defende que o debate seja técnico e despolitizado, algo que considera impossível em um ano eleitoral, onde a busca por votos e a visibilidade nas redes sociais podem sobrepor a análise de impactos econômicos e na geração de empregos.
Produtividade e crise educacional como entraves
O presidente da CACB aponta a baixa e ineficiente produtividade brasileira como um obstáculo significativo para a discussão sobre a jornada de trabalho. Ele relaciona essa baixa produtividade a crises mais profundas, incluindo a educacional, citando dados que indicam que 30% dos adultos brasileiros são analfabetos funcionais. Além disso, problemas fiscais e morais também desvirtuam o debate produtivo no país.
Defesa da CLT e preocupação com pequenos empreendedores
Cotait Neto assegura que sua posição não é contra o trabalhador, mas sim a favor de um processo que respeite as leis trabalhistas vigentes, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ele reitera a importância do princípio do negociado sobre o legislado, dada a diversidade de processos produtivos no Brasil. Os mais afetados, na sua opinião, seriam os pequenos e médios empreendedores, que já enfrentam dificuldades com mão de obra escassa e margens de lucro reduzidas, agravadas pela crise fiscal.
Apelo por serenidade e responsabilidade parlamentar
O presidente da CACB faz um apelo por serenidade, valorização do pequeno e médio empreendedor e discernimento para que o debate sobre a jornada de trabalho ocorra no momento e nas condições adequadas. Ele conclama os parlamentares a compreenderem que o Brasil não está preparado para essa discussão no cenário atual e a assumirem a responsabilidade de adiar a medida, que ele considera nefasta para o país. A proposta é que se siga o que já está estabelecido na CLT, garantindo flexibilidade e negociação.
Alfredo Cotait Neto é presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).