A estratégia dos Estados Unidos em relação ao Irã, sob a administração de Donald Trump, tem sido interpretada por analistas como clara e racional, embora sua execução apresente um estilo peculiar, por vezes caótico.
O objetivo principal da Casa Branca não seria o Irã em si, considerado um ator secundário na arena global, mas sim a China, a única nação capaz de desafiar a hegemonia americana. A abordagem consiste em enfraquecer Pequim atacando um de seus pontos mais vulneráveis: a dependência de hidrocarbonetos.
Com importações diárias de cerca de 11,6 milhões de barris de petróleo em 2025, a China lidera o consumo mundial. O país obtém suprimentos de diversos fornecedores, com destaque para Venezuela, Irã e Rússia, que oferecem descontos especiais e aceitam pagamentos em yuan. Essa prática busca contornar o acordo dos petrodólares, firmado nos anos 1970, que consolidou o dólar como moeda de referência para transações de petróleo, garantindo a hegemonia financeira dos EUA.
### Defesa da Hegemonia Financeira
A tentativa de romper com a exclusividade do dólar em transações de petróleo não é nova, tendo sido um fator nas intervenções na Líbia e no Iraque. Contudo, a coordenação atual, especialmente por parte da China, em meio a uma competição acirrada, é vista como inédita.
A derrubada de Nicolás Maduro na Venezuela, sem o objetivo primário de democratizar o país, e as aproximações com Vladimir Putin, desconsiderando os interesses da Ucrânia, evidenciam uma estratégia formulada por Washington: a defesa da hegemonia geral americana e do dólar como moeda internacional. A participação do dólar nas reservas internacionais caiu de 71% em 2000 para 57% em 2025, indicando uma tendência de declínio que os EUA buscam reverter.
### Controle Estratégico do Irã
O controle sobre o Irã é visto como estratégico por diversas razões. Além de impedir a venda de petróleo barato em yuan para a China, a ação interrompe a Rota da Seda, prejudicando os planos de expansão comercial chinesa. O plano americano transcende a imposição de tarifas, buscando reposicionar os EUA em um cenário global tripolar (EUA, China, Rússia), com potencial para se tornar tetrapolar com a inclusão da Índia. A Europa, enfraquecida, é praticamente desconsiderada na equação.
### Método de Negociação e Neutralização
Assim como na Venezuela, os EUA prefeririam uma solução negociada com o Irã. Diante da resistência iraniana, a neutralização das principais autoridades políticas e militares tornou-se uma condição para interromper o suprimento de petróleo para a China e para neutralizar a capacidade bélica e nuclear iraniana. Nesse contexto, Washington teria se valido indiretamente do poderio militar de Israel.
A desistência das conversações com o Irã se deve a cinco fatores principais: a conclusão de que Teerã buscava apenas ganhar tempo; o iminente fornecimento de mísseis antinavio chineses ao Irã, que poderiam neutralizar as forças navais americanas; a possível entrega de caças Sukhoi Su-35 e sistemas de defesa aérea mais sofisticados; o aumento acelerado dos estoques balísticos iranianos (100 unidades por mês); e a estimativa de que o Irã possua urânio suficiente para a fabricação de 10 a 15 ogivas nucleares.
### O Míssil Fattah-2 e a Operação Fúria Épica
O desdobramento do míssil hipersônico iraniano Fattah-2, capaz de manobras evasivas em alta velocidade, acelerou o início do conflito. A inteligência americana e israelense identificou o momento propício para a “Operação Fúria Épica” em 28 de fevereiro de 2026, quando a cúpula iraniana estaria reunida em Teerã.
A demonstração de poder militar americano, realizada em menos de uma hora, reforça a conclusão de que o poderio dos EUA permanece praticamente sem contraponto. Donald Trump, acompanhando os desdobramentos, demonstra satisfação com o sucesso da missão, ciente de que seu sucesso político depende do apoio popular e congressional, um ponto de vulnerabilidade que rivais autocráticos como China e Rússia não possuem.