A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) divulgou, nesta terça-feira (17), o relatório executivo do encontro realizado em Belém, no Pará, em novembro de 2025. O documento formaliza os resultados da conferência, consolidando 56 decisões adotadas por consenso entre os países participantes e traça os próximos passos para a implementação de políticas globais.
As deliberações abrangem temas cruciais como mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia, e perdas e danos. “As decisões adotadas na conferência devem servir como catalisadoras de transformações econômicas, da construção de sociedades mais resilientes e da restauração dos ecossistemas. A jornada continua – e exigirá o compromisso de todos nós”, afirmaram em comunicado conjunto André Corrêa do Lago, presidente da COP, e Ana Toni, diretora executiva.
Simon Stiell, secretário executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), destacou que a conferência estabeleceu novos acordos globais. Ele citou a transição justa, a triplicação do financiamento para adaptação e progressos significativos em toda a Agenda de Ação, incluindo trilhões de dólares para redes limpas e uma nova iniciativa histórica para florestas.
Resultados Concretos para o Clima Global
O relatório enfatiza a ampliação do financiamento climático, estabelecendo a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035. Desse montante, pelo menos US$ 300 bilhões serão recursos públicos. Além disso, foi acordada a meta de triplicar o financiamento para adaptação no mesmo período.
Outro ponto central foi o fortalecimento das políticas de adaptação. A conferência adotou indicadores globais para monitorar o progresso e impulsionou a ampliação dos planos nacionais apresentados pelos países. Ao final do evento em Belém, 122 nações já haviam submetido suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas que marcam um novo ciclo de compromissos internacionais para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
Mapas do Caminho: Orientando a Ação Climática
O documento da COP30 delineia três grandes mapas do caminho, projetados para guiar a ação climática global nos próximos anos. Essas iniciativas funcionam como plataformas políticas e técnicas para converter compromissos em políticas nacionais e investimentos concretos.
Um dos mapas é o da Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis de forma justa, ordenada e equitativa, que inclui a meta de zerar o desmatamento até 2030. O segundo é o Mapa do Caminho pela Reversão do Desmatamento e da Degradação Florestal até 2030, reforçando o papel das florestas. O terceiro, o Mapa do Caminho de Baku a Belém, criado antes da COP30, foca na mobilização de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático, especialmente para países em desenvolvimento, tendo o Acordo de Paris como referência.
A presidência da COP30 também lançou o Acelerador Global de Implementação, uma iniciativa para apoiar países na execução de suas metas climáticas e planos de adaptação, priorizando ações de impacto rápido e em grande escala.
Iniciativas Brasileiras e Justiça Social
Uma das iniciativas de destaque da presidência brasileira foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Esse mecanismo visa mobilizar financiamento previsível e de longo prazo para a conservação e o uso sustentável de florestas em países tropicais em desenvolvimento. O TFFF opera por meio de financiamento misto, combinando investimentos públicos e privados. Ao final do evento, 52 países e a União Europeia endossaram a participação na iniciativa.
Na COP30, foi criada também a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, endossada por países da América Latina, África, Ásia e Oceania. O acordo busca fomentar o diálogo global sobre igualdade racial, clima e meio ambiente, reconhecendo a emergência climática como uma crise de justiça racial e a exposição desproporcional de comunidades vulneráveis aos riscos climáticos.
A Declaração sobre Fome, Pobreza e Ação Climática, com adesão de 44 países, reconhece que os impactos climáticos intensificam a pobreza e a insegurança alimentar. Os signatários defendem a expansão de sistemas de proteção social, investimentos em produção alimentar e apoio a pequenos agricultores.
Próximos Passos Rumo a Antalya e Reflexos para o Norte de Minas
O relatório da COP30 aponta a continuidade das negociações e a preparação para a próxima conferência climática, a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em 2026. A presidência da COP30 busca consolidar os mapas do caminho, ampliar o financiamento e manter o engajamento internacional para garantir que os compromissos de Belém se traduzam em resultados concretos.
Para o Norte de Minas, as decisões da COP30, embora globais, podem ter reflexos importantes. A meta de zerar o desmatamento até 2030 e o foco na conservação de florestas tropicais, por exemplo, impactam diretamente a região, que possui remanescentes de Cerrado e Mata Seca. Iniciativas de financiamento climático podem abrir portas para projetos de agricultura sustentável, recuperação de áreas degradadas e energias renováveis, como a solar, abundante na região.
A atenção ao racismo ambiental e à relação entre fome, pobreza e clima ressoa em comunidades do Norte de Minas, frequentemente mais vulneráveis aos efeitos da seca e da degradação ambiental. A busca por sistemas de proteção social e apoio a pequenos agricultores, defendida na conferência, é crucial para a resiliência das populações locais frente aos desafios climáticos. A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e outras instituições locais podem se beneficiar de parcerias para pesquisas e desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade regional, alinhadas aos compromissos globais.