O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, enfrenta um momento crucial com o leilão de sua concessão, previsto para o final de março. A transação ocorre em um cenário delicado para a indústria aérea e o turismo, levantando preocupações sobre o futuro do aeroporto e a possibilidade de ele se tornar mais um exemplo de infraestrutura subutilizada e obsoleta na América do Sul.
### Lições de Lima: O Caos Como Alerta
A experiência recente do Aeroporto de Lima, no Peru, serve como um contundente alerta. Após decisões abruptas da concessionária Lima Airport Partners (LAP) e falhas na fiscalização governamental, o aeroporto vivenciou um caos operacional. Essa instabilidade gerou insegurança para passageiros e companhias aéreas, resultando em perda de conectividade e danos à imagem do Peru como destino turístico e centro regional. A priorização de projeções financeiras de curto prazo em detrimento da análise de impacto sistêmico levou a perdas coletivas para todos os envolvidos.
### O Legado e o Risco para o Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro ainda sente os efeitos de decisões passadas que descalibraram o protagonismo do Galeão. Assim como Lima, o aeroporto corre o risco de se tornar um símbolo de como centros estratégicos podem ser esquecidos e desprestigiados. O Galeão, que já foi eleito o melhor aeroporto da região em 2014, aproveitou os investimentos para as Olimpíadas Rio 2016, recuperando seu status como um importante centro de manutenção de aeronaves e detentor da pista mais longa da América Latina. A perda de rotas e a migração de companhias aéreas para outros hubs, impulsionada por disputas tarifárias no passado, já demonstraram o impacto negativo para a economia e o turismo da cidade.
### A Postura das Concessionárias e a Competitividade Regional
A postura de empresas controladoras, como a Fraport, tem sido motivo de preocupação. A pressão sobre a LAP, desencadeada pela percepção de que os custos da Tarifa Unificada de Uso Aeroportuário (TUUA) poderiam superar os benefícios financeiros, contribuiu para uma erosão reputacional no ecossistema aeroportuário sul-americano. Em um cenário global já desafiador para a competitividade regional, sobrecustos e tarifas elevadas agravam a situação. Entidades como a IATA, câmaras de turismo e viajantes foram surpreendidos com o caos em Lima, cujos impactos negativos já alcançaram investidores, governos locais e a opinião pública internacional.
### Reflexos para o Norte de Minas
A situação do Galeão e os exemplos recentes de outros aeroportos na América do Sul servem como pano de fundo para a importância de uma gestão estratégica e de longo prazo na infraestrutura aeroportuária. Embora o Galeão esteja no Rio de Janeiro, a dinâmica de concessões e a busca por competitividade afetam todo o setor aéreo brasileiro. Para o Norte de Minas, a eficiência e a conectividade dos principais aeroportos do país impactam diretamente o fluxo de passageiros e cargas, o desenvolvimento do turismo regional e a atração de novos investimentos. Decisões acertadas na concessão do Galeão podem fortalecer a malha aérea nacional, beneficiando indiretamente a região com mais opções de voos e tarifas potencialmente mais competitivas. Por outro lado, a repetição de erros passados pode acentuar a concentração de rotas e investimentos em outros centros, deixando regiões como o Norte de Minas em desvantagem no cenário logístico e turístico do país.