O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (19) em alta de 0,35%, alcançando 180.270 pontos. O índice conseguiu reverter uma queda inicial de quase 2%, impulsionado por decisões políticas do governo brasileiro e pela repercussão do corte na taxa básica de juros (Selic).
Medidas contra greve de caminhoneiros e corte na Selic impulsionam bolsa
No final da tarde, o governo federal publicou uma Medida Provisória (MP) que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. A iniciativa visa prevenir uma potencial greve dos caminhoneiros, cujas reivindicações haviam sido anunciadas na véspera pelo ministro dos Transportes, Renan Filho. Paralelamente, o mercado financeiro reagiu à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de iniciar a flexibilização da taxa de juros, cortando a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Essa redução estava em linha com as expectativas do mercado.
Em seu comunicado, o Copom destacou que o agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio aumentou a incerteza no cenário internacional. O comitê ressaltou a necessidade de cautela por parte das economias emergentes, em um ambiente marcado pela volatilidade nos preços de ativos e commodities.
Petrobras e cenário internacional
As ações da Petrobras fecharam em leve baixa, com recuos de 0,12% e 0,47%, acompanhando o alívio nos preços do petróleo ao final do pregão. Esse movimento ocorreu após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciar que não realizará novos ataques à infraestrutura energética do Irã, atendendo a um pedido dos Estados Unidos.
Divergência com Wall Street
O desempenho positivo do Ibovespa contrastou com o fechamento em queda das bolsas de Wall Street. Nos Estados Unidos, o mercado financeiro reduziu as apostas em novos cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda em 2026, o que contribuiu para o sentimento de aversão ao risco.
Maiores altas e quedas do dia
As ações com melhor desempenho no Ibovespa foram Investimentos Bemge S.A. (FIGE3), com alta de 36,87%, e Lupatech S.A. (LUPA3), que avançou 17,81%. Na ponta negativa, Revee SA (RVEE3) liderou as quedas com -15,79%, seguida por Grupo Mateus SA (GMAT3), com -14,43%.
O volume total negociado na B3 atingiu R$ 38.113.040.726, com 4.585.410 negócios realizados.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a decisão sobre a taxa de juros e as medidas federais não tenham impacto direto e imediato em Montes Claros e no Norte de Minas, a estabilidade do mercado financeiro brasileiro é um indicador positivo para o ambiente de negócios na região. A redução da incerteza política e a perspectiva de juros mais baixos podem, a médio prazo, estimular investimentos e o consumo local, beneficiando setores como agronegócio e comércio, importantes para a economia do Norte de Minas.