Desde que reassumiu a Casa Branca, Donald Trump e sua administração deixaram claro o objetivo de remodelar a geopolítica global. A postura de um Estados Unidos hegemônico e com pouca crença na cooperação multilateral afetou diretamente o sistema de alianças construído ao longo de décadas, que unia nações por interesses econômicos, militares e princípios comuns.
O distanciamento dos EUA de seus aliados europeus tornou-se evidente quando Trump e Vladimir Putin começaram a decidir o futuro da Ucrânia sem a participação de países europeus. Para as nações europeias, cuja maior ameaça existencial é o expansionismo russo, a aproximação de Washington com Moscou foi interpretada como uma fragmentação da aliança ocidental. Somado a isso, as tarifas impostas por Trump atingiram parceiros comerciais históricos, impactando uma economia europeia já fragilizada pela pandemia e por conflitos regionais.
A ambição territorial de Donald Trump sobre a Groenlândia, parte do Reino da Dinamarca, foi mais um movimento que evidenciou o desalinhamento entre os membros da aliança ocidental. Em resposta, os gastos militares europeus devem superar os 800 bilhões de euros na próxima década, visando maior independência na defesa. Paralelamente, a Europa busca laços econômicos mais estreitos com Índia e Mercosul para diversificar seu portfólio comercial diante do protecionismo americano.
Guerra do Irã expõe fragilidades diplomáticas
A “Guerra do Irã”, iniciada por uma ofensiva israelense-americana em fevereiro, tornou-se um teste para a estratégia de Trump. Apesar de militarmente inferior, o Irã, lutando pela sobrevivência do regime, emprega estratégias complexas. O fechamento do Estreito de Ormuz, ponto crucial para 20% do petróleo global, causou um disparo imediato nos preços da commodity, cujos efeitos já são sentidos nos Estados Unidos.
Desobstruir o estreito tornou-se uma prioridade operacional para os EUA. O custo econômico e político desse bloqueio é imenso para Trump, que perde popularidade interna e preocupa investidores sobre a credibilidade da política externa americana.
Aliados se distanciam em meio a nova estratégia geopolítica
Donald Trump buscou o apoio de aliados para formar uma coalizão que patrulhasse o Estreito de Ormuz. No entanto, o receio de serem arrastados para um conflito distante e os custos políticos internos afastaram muitas nações. A postura isolacionista de Washington desde 2025 e a redefinição das esferas de influência globais retiram o peso moral de pedidos de ajuda, especialmente para lideranças europeias que se sentiram abandonadas por Trump.
Embora seja prematuro afirmar que nenhuma nação apoiará os Estados Unidos, nunca antes foi tão desafiador encontrar aliados dispostos a seguir um mandatário americano em uma ação no Oriente Médio. A atual guerra pode redefinir não apenas a geopolítica da região, mas todo o sistema de alianças construído pelos Estados Unidos para atender às suas necessidades.
Fonte: O abandono dos aliados cobra o seu preço de Donald Trump – Jovem Pan