Alerta de Especialista: Riscos Online no Carnaval Levam a Apelo Contra Postagem de Fotos de Crianças, com Reflexos para o Norte de Minas

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Em um cenário de crescente preocupação com a segurança de crianças e adolescentes, o pesquisador Maurício Cunha, especialista na área, alertou pais e responsáveis sobre os perigos de postar imagens de seus filhos na internet durante o Carnaval. A recomendação visa proteger os menores de riscos como adultização, erotização, desaparecimento e, principalmente, exploração e violência sexual online, problemas que também impactam famílias em Montes Claros e em todo o Norte de Minas.

Cunha participou de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal para debater os riscos e violações de direitos de crianças e adolescentes no período carnavalesco. Ele citou dados alarmantes do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que revelaram mais de 26 mil casos suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes registrados durante o Carnaval de 2024. Este número representa um crescimento de 38% em relação ao ano anterior, com quase 40% das violações focadas em crianças.

Vulnerabilidade Ampliada no Carnaval

O especialista explicou que o período de folia torna crianças e adolescentes ainda mais vulneráveis. “Acaba sendo um período em que as crianças e adolescentes estão mais vulneráveis a todo tipo de violência. Isso pode ser comprovado com evidências”, afirmou. Ele destacou a superexposição, o aumento da circulação em eventos de massa e debates sobre a erotização precoce, uma violação direta do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Além dos riscos de desaparecimento em aglomerações e do aumento do trabalho infantil informal, o pesquisador enfatiza os perigos digitais. “O que para as famílias é um conteúdo simples pode gerar exposição dos filhos. Aquilo pode parar em uma rede em que essa foto pode ser manipulada”, alertou Cunha. Ele orienta as famílias a desativar a localização e evitar fotos, vídeos e transmissões ao vivo com crianças.

Perigos da Exposição Digital

Um estudo do ChildFund, intitulado “Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet”, revelou que 54% dos adolescentes entre 13 e 18 anos já sofreram algum tipo de violência sexual online. Este dado é “gravíssimo”, segundo Cunha, pois as marcas psicológicas e emocionais podem comprometer o desenvolvimento dessas pessoas.

A falta de supervisão parental agrava o cenário. A pesquisa mostrou que apenas cerca de 35% dos adolescentes brasileiros têm algum tipo de acompanhamento no uso da internet. “O adolescente quer liberdade, mas a gente percebeu que esse mesmo adolescente se ressente do fato de não ter tanta proteção”, pontuou o especialista.

Ferramentas de Proteção e Diálogo

Para prevenir essas violações, Maurício Cunha recomenda a utilização de ferramentas de segurança, como controles parentais, a limitação de mensagens de desconhecidos e a revisão das configurações de privacidade dos aplicativos. Ele também ressaltou a importância do diálogo constante com crianças e adolescentes, orientando-os a não interagir com estranhos no ambiente digital nem enviar informações pessoais ou fotos.

O tempo excessivo nas redes sociais também é um fator de risco. Adolescentes no Brasil passam, em média, quatro horas por dia online, com 30% deles ultrapassando seis horas. “Quanto mais tempo ali, mais a criança está exposta também a violações”, observou Cunha.

Desafios na Identificação de Agressões

Quebrando tabus, o pesquisador frisou que a maioria das violações sexuais contra crianças (mais de 85%) é cometida por pessoas de confiança da família ou da própria criança, frequentemente em ambientes domiciliares. O ECA Digital, que será implementado em março, representa um avanço significativo na redução da violência online.

O Disque 100 permanece como uma ferramenta vital. A ligação é gratuita, funciona 24 horas por dia e não exige o ônus da prova. “Se há uma suspeita de crime contra a criança, ele já pode ligar para o Disque 100 e a denúncia é encaminhada para o município. Na dúvida, as pessoas devem fazer a denúncia porque aquela criança é hipervulnerável”, enfatizou Cunha, reforçando que a vigilância da sociedade é crucial para inibir criminosos.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora os dados apresentados por Maurício Cunha sejam de âmbito nacional, os riscos e as recomendações têm impacto direto nas famílias do Norte de Minas. Cidades como Montes Claros, Janaúba e Pirapora, com suas celebrações de Carnaval e a crescente conectividade digital, enfrentam os mesmos desafios. Os pais da região devem redobrar a atenção, aplicando as orientações de segurança online e offline para proteger seus filhos.

Os Conselhos Tutelares e as Secretarias de Assistência Social dos municípios do Norte de Minas são pontos de apoio fundamentais, atuando na prevenção e no encaminhamento de denúncias. A conscientização sobre o uso seguro da internet e a importância da supervisão parental são essenciais para garantir um Carnaval seguro e proteger o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes da região.

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