O Brasil inicia 2026 sob forte alerta devido à seca, com 3.545 municípios registrando algum nível de estiagem em janeiro, conforme aponta o mais recente Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O cenário exige atenção especial para a gestão dos recursos hídricos e para a produção agrícola nos próximos meses.
Avanço da Seca Moderada e Fraca Preocupa
A análise, baseada no Índice Integrado de Seca (IIS-3), indicou uma redução no número de cidades em seca severa, caindo para 361 municípios, uma diminuição de 12,5% em relação a dezembro. No entanto, o quadro revela um aumento preocupante nos níveis de seca moderada e fraca. A seca moderada atingiu 1.225 cidades, um acréscimo de 2,6%, enquanto a seca fraca saltou de 2.005 para 2.320 municípios, representando um aumento de 15,7%.
Municípios em Seca Extrema e Corredor Crítico
Quatro municípios brasileiros registraram a condição de seca extrema em janeiro: Igaracy, na Paraíba, e Limeira do Oeste, Santa Vitória e União de Minas, todos em Minas Gerais. Felizmente, não houve registros de seca excepcional neste recorte mensal. O acumulado de seis meses (IIS-6) mantém os mesmos quatro municípios em condição extrema, com a região central do país concentrando as áreas mais afetadas. Um corredor crítico se estende por estados do Sudeste (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso), Norte (Tocantins e Pará) e Nordeste (Pernambuco e Paraíba).
Impactos na Agricultura e Projeções Climáticas
Especialistas alertam que o avanço da seca moderada e fraca, apesar da queda nos casos severos, pode ter consequências cumulativas significativas para a vegetação e a agricultura. A persistência do déficit hídrico ameaça lavouras, pastagens e reservatórios essenciais. As projeções para o final de fevereiro indicam uma tendência de melhora nos níveis de seca moderada a severa, mas com um provável aumento da seca fraca, mantendo o estado de alerta para o trimestre.
Crise Hídrica: Cantareira e São Francisco em Alerta Máximo
Em relação aos recursos hídricos, o cenário é alarmante em importantes bacias hidrográficas. O Sistema Cantareira encerrou janeiro com apenas 23% do seu volume útil, operando na faixa de restrição e registrando o pior nível para o período desde a crise hídrica de 2014/2015. Na região Nordeste, o Rio São Francisco, no trecho que antecede a Usina de Sobradinho, atingiu a categoria de seca hidrológica excepcional, evidenciando o agravamento da situação. Trechos das bacias do Paraná, Tocantins e Araguaia também permanecem em seca excepcional, impactando reservatórios estratégicos e usinas hidrelétricas.
Projeções para Fevereiro e Próximos Meses
As previsões do Cemaden para fevereiro apontam para a manutenção do quadro atual, com possibilidade de agravamento principalmente nas regiões Sudeste e Sul. No caso específico do Sistema Cantareira, mesmo em um cenário de chuvas dentro da média histórica, o volume pode atingir apenas cerca de 42% até o fim de abril, o que ainda o manterá em faixa de atenção.
Reflexos para o Norte de Minas
A situação de seca que assola o país acende um sinal de alerta para o Norte de Minas Gerais. Embora os dados gerais apontem para a concentração crítica na região central, a persistência de condições adversas em bacias hidrográficas importantes como a do Rio São Francisco pode afetar o abastecimento e a produção agrícola em municípios mineiros. A gestão de recursos hídricos e a busca por soluções de adaptação às mudanças climáticas tornam-se ainda mais cruciais para garantir a segurança hídrica e alimentar da população norte-mineira.