Amistoso contra a Áustria em 1970: A Partida que Definiu a Seleção Titular do Brasil para a Copa do México

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A trajetória da Seleção Brasileira rumo ao tricampeonato mundial em 1970 foi marcada por incertezas e reviravoltas. Após a classificação tranquila sob o comando de João Saldanha em 1969, a demissão do técnico no início do ano seguinte abriu um período de indefinição. Mário Jorge Lobo Zagallo assumiu o posto a apenas 78 dias da estreia no México, herdando um time em busca de sua formação ideal.

Dúvidas de Zagallo e a Pressão da Torcida

Zagallo enfrentava a desconfiança de parte da torcida e a teimosia em acreditar que Pelé e Tostão não poderiam atuar juntos. Essa insegurança se refletia nos amistosos, onde o time era frequentemente vaiado. Um exemplo claro dessa instabilidade ocorreu em um jogo contra a seleção “B” da Bulgária no Morumbi. Zagallo escalou Tostão como titular, deixando Pelé no banco, e inverteu as posições no segundo tempo, gerando ainda mais questionamentos.

A insistência em Paulo César Caju na ponta esquerda também gerou protestos da torcida paulista, que clamava por Rivellino ou Edu. A disputa pela ponta direita entre Jairzinho e Rogério também era um ponto de interrogação para o treinador.

O Jogo Decisivo contra a Áustria

A escalação definitiva da equipe para a Copa do Mundo só se consolidou no último amistoso antes do embarque para o México. Em 29 de abril de 1970, no Maracanã, o Brasil venceu a Áustria por 1 a 0, com um gol de Rivellino. Essa partida foi crucial para Zagallo definir os últimos detalhes da equipe.

Dois dias antes do confronto com os austríacos, Zagallo já havia anunciado cortes na equipe. “Leão é excelente goleiro, mas é muito novo; Ado é mais velho e tem mais experiência e tranquilidade. Dirceu Lopes é um craque, mas não se adaptou ao meu esquema; Zé Carlos também é bom jogador, mas com tanto jogador de meio de campo, era preciso dispensar um ou dois. E Arilson não conseguiu livrar-se da inibição que o caracterizou desde o início dos treinos”, declarou o treinador à Folha de S. Paulo.

A Seleção que Conquistou o Mundo

A escalação que entrou em campo contra a Áustria foi: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo e Gérson; Rogério (Jairzinho), Tostão, Pelé e Rivellino (Dario). No torneio no México, Everaldo se firmou como titular na lateral esquerda e Jairzinho na ponta direita.

Rogério, do Botafogo, viajou com a delegação, mas uma lesão o impediu de jogar. Sua presença, no entanto, foi mantida como “olheiro”, observando as equipes adversárias. A convocação de Emerson Leão, terceiro goleiro, teria sido um pedido de Félix e Ado, demonstrando o bom ambiente interno.

Campanha de Preparação e Rumo ao Tri

A preparação da Seleção Brasileira incluiu uma série de amistosos com resultados variados:

  • 22.03 – Brasil 5×0 Chile – Morumbi
  • 26.03 – Brasil 2×1 Chile – Maracanã
  • 05.04 – Brasil 4×1 Seleção Amazonense – Manaus
  • 12.04 – Brasil 0x0 Paraguai – Maracanã
  • 19.04 – Brasil 3×1 Seleção Mineira – Mineirão
  • 26.04 – Brasil 0x0 Bulgária – Morumbi
  • 29.04 – Brasil 1×0 Áustria – Maracanã
  • 06.05 – Brasil 3×0 Deportivo Guadalajara – Jalisco
  • 17.05 – Brasil 5×2 Deportivo León – León
  • 24.05 – Brasil 3×0 Irapuato – Irapuato

A delegação brasileira embarcou para o México em 1º de maio de 1970. O desfecho dessa jornada é história: em 21 de junho, o capitão Carlos Alberto Torres ergueu a Taça Jules Rimet, consagrando o Brasil tricampeão mundial.

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