O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (16) a proibição do acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS a novos dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os dados, que estavam armazenados em uma sala-cofre no Senado Federal, deverão ser devolvidos à Polícia Federal (PF).
Reviravolta após Vazamento
A medida de Mendonça surge como uma reviravolta na investigação e foi motivada pela abertura de um inquérito para apurar o vazamento de conversas privadas entre Vorcaro e sua ex-namorada, a modelo Martha Graeff. As mensagens foram extraídas de celulares do banqueiro apreendidos pela PF.
Na decisão, o ministro enfatizou que, a partir de agora, o material na sala-cofre está inacessível. Além disso, a CPMI não poderá ter acesso a conteúdos da vida privada de Vorcaro, sendo a Polícia Federal a responsável pela nova triagem e separação dos dados relevantes para a investigação.
“A Polícia Federal deverá, em colaboração interinstitucional com a presidência da CPMI-INSS, retirar todos os equipamentos que estão armazenados no referido local para realizar uma nova e detida separação dos dados existentes”, determinou Mendonça.
Histórico da Quebra de Sigilo
A relatoria do inquérito do Banco Master foi assumida por Mendonça no mês passado, após o ministro Dias Toffoli se afastar do caso. Uma das primeiras ações de Mendonça foi, inclusive, liberar o acesso da CPMI do INSS à quebra de sigilo de Vorcaro, medida que havia sido vetada por seu antecessor.
Contudo, o compartilhamento desses dados com a comissão, segundo Mendonça, não autorizava a divulgação pública das informações. O vazamento das mensagens íntimas na imprensa e redes sociais levou à imediata abertura do inquérito para identificar os responsáveis.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a decisão do ministro André Mendonça se refira a um processo em Brasília, envolvendo uma CPMI e um banqueiro, ela reforça a seriedade na gestão de dados sigilosos em investigações de grande porte. Para o Norte de Minas, como para outras regiões do país, a transparência e a correta condução de inquéritos sobre desvios no INSS são cruciais, pois os impactos de fraudes previdenciárias afetam diretamente a capacidade de pagamento de benefícios a milhares de segurados locais. A proteção da privacidade dos investigados, mesmo em casos de interesse público, estabelece um precedente importante para futuras apurações.