Banco Central Decreta Liquidação Extrajudicial do Will Bank Após Crise do Conglomerado Master
Decisão sobre a Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento vem após descumprimento de pagamentos e insolvência, com reflexos no sistema financeiro nacional.
O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. A instituição, controlada pelo Banco Master, já operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde a liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2023.
A medida, anunciada pelo BC, inclui a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira, que fazia parte do conglomerado Master. Liderado pelo Banco Master, o grupo detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A Decisão do Banco Central e a Liquidação Inevitável
No momento da liquidação extrajudicial do Banco Master, o BC havia imposto o RAET ao Master Múltiplo S/A na tentativa de preservar o funcionamento da controlada Will Financeira, considerando uma solução de interesse público. Contudo, essa alternativa não se mostrou viável.
Conforme apurado em 19 de janeiro, a Will Financeira descumpriu sua grade de pagamentos com o arranjo da Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, resultando no bloqueio de sua participação. Diante dessa situação, a autoridade monetária considerou a liquidação inevitável, citando o comprometimento da situação econômico-financeira da Will Financeira, sua insolvência e o vínculo de interesse evidenciado pelo poder de controle do Banco Master.
Entenda o Caso Banco Master e as Irregularidades Apuradas
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master experimentou um crescimento acelerado, oferecendo Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rentabilidade significativamente acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que, segundo investigações, inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real diminuía.
Relatórios do Banco Central e investigações da Polícia Federal apontam que o colapso do Master foi além de questões financeiras, revelando também problemas institucionais. O caso ganhou complexidade com a conexão à gestora Reag Investimentos, uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) e pressões sobre órgãos de controle, gerando impacto direto em investidores e na credibilidade de instituições.
Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões através de triangulações. O esquema envolvia empréstimos a empresas supostamente laranjas, que aplicavam os recursos em fundos da Reag Investimentos. Estes fundos, por sua vez, compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag considerados suspeitos, com um patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, dinheiro que circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.
Como a Crise Nacional Afeta Minas Gerais e o Norte de Minas
Embora a liquidação do Will Bank seja uma notícia de âmbito nacional, suas consequências reverberam por todo o país, incluindo Minas Gerais e o Norte de Minas. A instabilidade em grandes instituições financeiras como o Banco Master e suas controladas, como o Will Bank, pode gerar desconfiança no mercado e impactar indiretamente investidores e a captação de recursos para o desenvolvimento regional.
Para os moradores de Montes Claros e cidades vizinhas, a importância de escolher instituições financeiras sólidas e reguladas pelo Banco Central se torna ainda mais evidente. Acompanhar as notícias do setor financeiro é crucial para entender os riscos e proteger investimentos, garantindo a segurança econômica da região.