Brasil busca US$ 5,5 bilhões em investimentos para minerais críticos em evento global no Canadá

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O Brasil intensificou seus esforços para atrair investimentos estrangeiros em minerais críticos durante uma série de agendas realizadas em Toronto, no Canadá, na última semana. O objetivo é capitalizar o crescimento da demanda global por esses materiais, essenciais para a transição energética e a indústria tecnológica.

A iniciativa, liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reuniu representantes do setor mineral brasileiro e investidores internacionais. O foco esteve em projetos de exploração e processamento de minerais estratégicos, como lítio, grafite, níquel, cobre e terras raras, fundamentais para a produção de eletrônicos, baterias e veículos elétricos.

Agenda estratégica em Toronto

Entre os dias 1º e 5 de março, a ApexBrasil organizou encontros com investidores, painéis temáticos e apresentações de projetos brasileiros. A delegação contou com a participação da diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, e outros representantes da agência.

Parte da programação ocorreu em paralelo à PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), a maior e mais influente convenção do setor mineral do mundo. O evento deste ano reuniu cerca de 30 mil participantes de 135 países, mais de mil expositores e aproximadamente 2,5 mil investidores.

O Brasil marcou presença com um pavilhão institucional, onde 33 empresas de mineração, entidades do setor e autoridades do governo federal apresentaram seus projetos.

Ampliação do processamento mineral no Brasil

Ana Paula Repezza destacou a importância de atrair capital internacional não apenas para a exploração, mas também para expandir a capacidade de processamento de minerais críticos no Brasil. “O Brasil é a segunda maior reserva de minerais químicos do mundo. Isso porque a gente tem só 25% do nosso território mapeado, geologicamente estudado. E o que a gente quer é fazer com que esses minerais também possam ser beneficiados no Brasil, bem como os seus subprodutos, quem sabe chegar até a produtos finais, como baterias elétricas”, explicou Repezza.

Marcos André Gonçalves, presidente da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), ressaltou que a participação no evento é uma oportunidade única para apresentar ativos e projetos nacionais ao mercado global. “A ApexBrasil traz toda a expertise que a entidade tem para fazer o showcase de Brasil, trazer os produtos, serviços, ativos e projetos que podem ser negociados e objeto de investidores”, afirmou.

Brazilian Mining Day e catálogo de oportunidades

O setor mineral brasileiro também promoveu o Brazilian Mining Day, iniciativa organizada em parceria com a ADIMB e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). O evento foi dedicado à apresentação de projetos brasileiros de minerais críticos a investidores internacionais.

Um catálogo elaborado para o encontro reúne 35 projetos com potencial de investimento de aproximadamente US$ 5,5 bilhões. As iniciativas envolvem minerais estratégicos como terras raras, grafite, lítio, níquel, zinco e cobre, e estão distribuídas por estados como Minas Gerais, Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí, Mato Grosso, São Paulo e Sergipe.

Fortalecimento do mercado financeiro e de capitais

A agenda em Toronto incluiu encontros estratégicos com representantes do mercado financeiro na bolsa de valores canadense. Cerca de 40 participantes, incluindo gestores de fundos e instituições financeiras especializadas em mineração, demonstraram interesse em oportunidades de financiamento para projetos brasileiros.

“Existe um interesse genuíno de cooperar com essas instituições financeiras no Brasil, como o BNDES e outros fundos, para que possamos viabilizar e gerar escala em projetos de minerais críticos que interessem a ambos os mercados”, declarou Ana Paula Repezza. O objetivo é apoiar a fase de beneficiamento desses minerais, gerando impactos econômicos e sociais no Brasil e contribuindo para a agenda de transição climática.

Reflexos para o Norte de Minas: Embora a agenda tenha ocorrido no Canadá, a busca por investimentos em minerais críticos como lítio e terras raras tem potencial para impactar o desenvolvimento econômico do Norte de Minas Gerais. A região possui potencial geológico para a exploração desses recursos, e o fortalecimento do setor mineral brasileiro com capital internacional pode abrir portas para novos projetos e empreendimentos na área, gerando empregos e impulsionando a economia local.

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